O Turismo Rural só tende a crescer

A presidente da Associação Pernambucana de Turismo Rural (Apeturr), Fátima Magalhães,  analisa o Turismo Rural em nosso estado e diz o que espera do setor para os próximos anos

Cada vez mais, as pessoas que moram nos grandes centros urbanos procuram um lugar no campo e encontram no Turismo Rural a oportunidade de vivenciar experiências que as desliguem da rotina, do estresse, e as conecte com a simplicidade, com a natureza, ou mesmo com as próprias origens. Pelos seus patrimônios histórico e natural, e por toda sua diversidade, Pernambuco concentra um grande potencial para este segmento. Sobre isso, entrevistamos a presidente da Associação Pernambucana de Turismo Rural (Apeturr), Fátima Magalhães, que nos recebeu no último dia 11, no estande da associação na 26ª Agrinordeste. Ela falou sobre o Turismo Rural em nosso estado, apontou caminhos para que Pernambuco consiga explorar todo seu potencial e explicou como é o trabalho da Apeturr, que hoje conta com treze associados na Zona da Mata e no Agreste. Confira!

Partiu Interior –  Como a senhora percebe o Turismo Rural hoje em Pernambuco?

Fátima Magalhães – Eu acredito que o Turismo Rural só tende a crescer. Quando eu comecei, há nove anos (ela é proprietária do Refúgio do Rio Bonito, no município de Bonito-PE), a procura era bem menor do que é agora. Eu sinto que as pessoas dos grandes centros estão, cada vez mais, necessitando do lugar no campo. Como o Turismo Rural é o turismo de experiência, por excelência, é onde você vai vivenciar o cotidiano do campo, ele se torna muito diferenciado e isto está encantando cada vez mais essas pessoas. No Turismo Rural você não tem só o lazer, você tem o Turismo Ecológico, de Aventura, você tem cachoeiras, têm trabalhos dentro de reservas, até mesmo de exploração de trilhas, e também essa parte agrícola. Então você tem oportunidade de vivenciar muita coisa, é bem diversificado.

Jundiá Acervo Empetur

Engenho Jundiá (Crédito da Imagem: Acervo Empetur)

Partiu Interior – E qual o caminho para que a gente consiga explorar todo esse potencial?

Fátima Magalhães – Olha, o poder público precisa melhorar as estradas, os acessos, sinalização… É preciso investir no interior, porque o interior tem muito o que mostrar. Se você entrar em todos os estados do interior do Nordeste – não só em Pernambuco – você tem cultura, história, gastronomia, música, artesanato, artes plásticas. Divulgar tudo isso é muito importante. Falando por mim, às vezes chegam clientes dizendo “vocês precisam divulgar isso, Bonito está tão perto do Recife e a gente não conhece essa maravilha”. Nós não temos recurso para anunciar nas grandes mídias, a divulgação que a gente faz são as mídias sociais e nas feiras. Essa divulgação maior é o estado que precisa fazer, de convidar para vir para o interior. Já começou, mas é preciso mais.  

Falta também segurança. É preciso dar segurança para quem está na estrada, para quem está no município visitando. Então, o caminho é investir em bons acessos, segurança e divulgação, o poder público precisa garantir isso para que o empresário que está ali investindo tenha o seu retorno.

Partiu Interior – Nós vemos pouca divulgação por parte do poder público sobre o interior, exceto no período de Carnaval…

Fátima Magalhães – É. Sem querer fazer apologia a ninguém, a nenhum político, mas eu posso datar que do governo de Eduardo Campos para cá, ele voltou o olhar para o interior, foi quando a gente começou a ver um pouco mais de divulgação. O Ministério do Turismo também começou a fazer filmes veiculados em grandes emissoras abertas. Então, começou, mas a gente precisa de muito mais.

Aparaua Partiu Interior

Aparauá Eco Aventura (Crédito da Imagem: Acervo Partiu Interior, 2016)

P.I. – Quantos associados compõem hoje a  Apettur e como ela trabalha?

F.M. – Hoje a Associação Pernambucana de Turismo Rural é composta por treze associados, sendo 7 com hospedagem, 4 com day use, 1 com passeios de balão (em Bonito-PE) e pelo menos 4 com turismo pedagógico. São 6 associados na Zona da Mata – Norte e Sul – e 7 no Agreste. O interessante é que cada um tem sua característica, por exemplo: o Aparauá, em Goiana, é um ambiente de rio com braço de mar, com vegetação preservada, com resquício de Mata Atlântica, mas um ambiente completamente diferente de São Benedito do Sul. Ou seja, cada um com um diferencial, e estamos unidos, dentro da associação, com o objetivo de trabalharmos juntos pelo Turismo Rural, mas cada um com sua peculiaridade. Outra característica nossa é que a maioria é mulher.

P.I. – Como funciona para novos associados? Geralmente a pessoa procura a associação e vocês fazem o acompanhamento?

F.M. – Isso, aqui na Agrinordeste nós tivemos várias pessoas interessadas, o que me surpreendeu. A procura foi grande, para saber como desenvolver dentro de uma propriedade rural – de alguma forma ela está tentando melhorar o rendimento, diversificar – e querendo saber como faz para ser associada. Para se associar, nós primeiro  fazemos uma visita ao local, vamos conhecer o perfil, até mesmo para aprofundar mais a ideia, se tem aptidão, se a pessoa está disposta a abrir mão… de repente tem situações em que você vai abrir a sua casa, então é preciso ver se é isso mesmo que a pessoa quer, para que a gente dê orientações mínimas e também possa indicar onde buscar ajuda, como Sebrae, Empetur, Secretaria de Turismo, o município, as secretarias municipais, por exemplo. Este é um trabalho em que você não pode ficar isolado. A pessoa estar associado já é um grande ganho, porque ela só vai poder receber ajuda do Ministério do Turismo, das secretarias de Turismo, da Empetur e do Sebrae se estiver dentro de uma associação.

P.I.- E, depois de associado, há o acompanhamento…

F.M. – É, uma vez que você está associado, a gente faz reuniões uma vez por mês, onde a gente transforma isso em um encontro, uma troca de experiência, de informações, negativas ou positivas, para que todos fiquem por dentro, afinal isso não deixa de ser uma rede, não é? Através da Empetur, do Sebrae e da Secretaria de Turismo a gente participa de outros eventos, feiras, com material. Nem sempre a gente coloca estande, como na Agrinordeste, mas a gente coloca o nosso material e todos os associados são divulgados. Agora, no dia 20 de outubro vai acontecerá uma feira em João Pessoa, onde vamos apresentar para as agências que trabalham com Turismo como um todo. A gente participa também da RuralTur, que é um evento importante – ano passado foi em Gravatá, e este ano será na Paraíba. Nós também fizemos parceria com a Associação de Produtores de Cana, Aguardente e Rapadura (APAR), porque acreditamos que Turismo Rural e cachaça têm tudo a ver.

Sanhacu 1 Partiu Interior

Cachaça Sanhaçu (Crédito da Imagem: Acervo Partiu Interior, 2016)

P.I.- Existe uma rede de associações no Nordeste?

F.M. – No Nordeste, Pernambuco é o estado que hoje está mais organizado, em Turismo Rural. A associação é uma das mais fortes, mas a gente também trabalha junto. Temos a Abraturr, que é a associação brasileira e abraça todas essas associações, então estamos juntos.

 

P.I. – O que a senhora espera do Turismo Rural em Pernambuco

F.M. – Eu espero que esta crise financeira esteja acabando e as pessoas voltem a poder investir no lazer, porque esses últimos quatro anos foram complicados. Um dos fatores que fizeram reduzir o número de associados foi, primeiro, a seca – teve gente que não teve água para continuar e fechou – e outro foi a questão de ter esvaziado mesmo. Quando o município não é um destino e que você é o único atrativo, aí fica difícil. Eu estou num município que é um destino (Bonito-PE), mas temos associado que é o único atrativo, por exemplo, a Fazenda Betânia, em São Benedito do Sul. As pessoas vão especificamente para a fazenda Betânia, e não para São Benedito do Sul. Tiveram outros associados que estavam em situação difícil e não conseguiram permanecer, porque não tinham apoio do município, e o município não conseguia sobressair em nada.

Eu aposto que, ano a ano, a gente vai conseguir superar as dificuldades… Eu estou apostando que o Turismo Rural tem tudo para crescer.

SAIBA MAIS
De acordo com dados da Apeturr, atualmente os treze empreendimentos associados geram 630 empregos e oferecem 1.778 leitos. Clique aqui para saber mais sobre os associados da Apeturr.

Conheça os empreendimentos e as associações citadas na entrevista:
Refúgio do Rio Bonito: www.refugiodoriobonito.com.br
Aparauá: www.aparaua.com.br  e Partiu Interior no Aparauá (2016)
Fazenda Betânia: www.instagram.com/hotelfazendabetania
APAR: www.cachacasdepernambuco.com.br
Abraturr: https://www.facebook.com/profile.php?id=100013423926459
Apeturr: www.apeturr.com.br

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