José Bezerra e a arte bruta do Catimbau

No universo que é o Vale do Catimbau, onde ventos e pedras moldam a imaginação, de repente, a branca e espinhosa caatinga se confunde com aves, lagartos, cobras, cabeças e pessoas de madeira, que se espalham pelo chão quente e avermelhado, em volta uma casa simples, de taipa. Paredes, animais e arte, tudo feito à mão. É o mundo de José Bezerra, escultor.

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Sertanejo, de pele dourada, cabelos grisalhos e chapéu de couro, José Bezerra recebe a todos ali, no seu próprio mundo. Entre as peças que repousam no chão seco, ele conta que tudo aquilo começou em um sonho. Sonhou com uma escultura e algo lhe dizendo que “seria um grande artista”. Pronto, acordou e partiu pela vegetação em busca do pedaço de madeira que viu enquanto dormia. Fez a escultura e foi apenas a primeira.

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O artista tem a preocupação de trabalhar com galhos caídos, não corta a madeira da caatinga para fazer suas peças. “Eu olho a madeira no chão, vejo um pássaro, vou lá e talho o pássaro”, conta. Bezerra afirma que precisa comprar madeira em Petrolina para esculpir a maior parte de suas peças.

Lá no ateliê, de paredes de taipa, teto de palha e chão de lascas de madeira, o Zé Bezerra conta um pouco de sua história, além de causos e nos mostra outro talento: a música. Com um berimbau de madeira, chaleiras e arame, ele canta as próprias músicas, de improviso. “Eu vou juntando as letras, acrescentando uma coisa aqui, outra ali, e nunca uma música sai igual à outra”.

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O toque rápido e preciso no instrumento monocórdico nos remete às nossas origens árabes – que explora os diversos tons, semitons e tudo o que mais tiver entre cada um deles. É um som puro, longe das convenções e padrões teóricos da música ocidental, é bruto, e, por isso, belo.O timbre e a afinação do artista impressionam, e é quase impossível não querer fazer um som junto com ele e fazer parte daquele mundo (agora sonoro) por alguns minutos.

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Tentei tocar o berimbau e ele logo pediu licença para ir em casa. Voltou com uma zabumba e disse: “vamos lá?”.

Ditou o pulso, o ritmo, e cantou o Sertão.

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Vale do Catimbau II – Como planejar as trilhas

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Já apresentarmos um pouco da viagem, da cidade de Buíque e da Vila do Catimbau no texto anterior (clique aqui), agora chegou a hora de falarmos sobre o principal: como planejar a viagem para o Parque Nacional do Catimbau.

Uma coisa é certa: não é tão fácil encontrar informações atualizadas na Internet sobre o lugar. Por isso, vamos contar um pouco da nossa experiência  e trazer detalhes e dicas importantes. Ah, e se ficar alguma dúvida, é só entrar em contato conosco pelos comentários, por e-mail (partiuinterior@gmail.com) ou em nossa página no Facebook (@partiuinterior). Será um prazer ajudar.

HOSPEDAGEM E REFEIÇÕES
Existem opções de hospedagem na cidade de Buíque e na Vila do Catimbau. Ficamos hospedados na pousada Santos, pois recebemos recomendações de leitores e de amigos de que ela seria a melhor da cidade. A pousada é bem simples e limpa, não tivemos nenhum problema. A diária custa R$ 110,00 (casal) e inclui café da manhã.

Se você vai passar o dia no Parque Nacional do Catimbau, saiba que não há restaurante na Vila. Você precisa encomendar o almoço pela manhã, antes do passeio, e marcar o horário para voltar e almoçar. Nós não almoçamos lá porque chegamos tarde (10h20), então fizemos um lanche em uma padaria ao lado da associação dos guias.

Jantamos na Pizzaria Tavares, na pracinha ao lado da rodoviária. Legal e baratinho.

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OS PASSEIOS
Ao chegar na Vila (para saber mais, clique aqui), procure a Associação dos Guias de Turismo do Catimbau (AGTURC). Lá será apresentado um catálogo com cerca de dez opções de trilhas, desde as mais leves até as que exigem um pouco mais, e você poderá fazer quantas quiser ou aguentar. O ideal é combinar com o guia uma maneira de aproveitar o máximo o dia, associando uma ou duas caminhadas curtas e uma longa em cada turno.

Você irá contratar o guia pela diária, que custa R$ 100, seja para passeio individual ou em grupo de até 10 pessoas. Geralmente o guia vai no seu carro, mas caso o veículo esteja lotado, você pode contratar um que tenha moto. Nosso guia foi o José Almeida (87-96637207), um senhor discreto, meio calado, mas que conhece muito bem a região e nos contou histórias engraçadas.

AS TRILHAS
De carro, passamos pelas pedras do Cachorro, do Cavalo Marinho e do Camelo, pela casa do artesão José Bezerra (tema do próximo post) e por paisagens bem características do Sertão até chegamos a nossa primeira trilha – a Umburana. São inúmeras pedras moldadas pelos ventos e com formatos que brincam com sua imaginação. Jacarés, dinossauros, tartarugas, bruxa, navio, lagarto, leão…

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A trilha é curta, mas tem subidas e descidas um pouco íngremes e exige atenção com as pedras. O esforço vale a pena, pois de lá você também vê parte de Arcoverde, do povoado de Cruzeiro do Nordeste, além do vale. A imensidão do semiárido surpreende e encanta.

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Depois fomos para a Pedra da Igrejinha, que ganha esse nome pelo formato de uma das pedras, que lembram a janela/porta de uma igreja. Com um carro mais alto, é possível chegar bem próximo do local. Lá é ideal para pegar uma sombra (e com o calor que faz lá isso vale muito a pena) e rende boas fotos.

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Na última parada do passeio, fizemos a trilha dos Homens sem Cabeça, que passa por um dos sítios arqueológicos do Vale, e depois a trilha do Chapadão. O caminho é longo, algumas subidas chatas, muito calor, mas o lugar é fantástico. Cada passo e cada parada para respirar é compensada lá em cima, quando você vê aqueles imensos braços de terra e pedras abraçarem o Sertão.

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São 300 metros de altura, mas sabe o que se escuta de lá? Os chocalhos de bodes e cabras que pastam por ali por perto. O som é belo e tranquiliza. Chamei de “Sinfonia Sertaneja”. Segundo o guia, os pastores deixam os animais ali por alguns dias se alimentando e depois voltam para buscá-los. Ir ao Vale do Catimbau é viajar por outros tempos.

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Deixamos o Chapadão após um pôr do sol de encher a vista. Já à meia luz, o Sertão parece menos desafiador, menos hostil, mas igualmente encantador para nossos seis sentidos. Saímos do Vale do Catimbau com a certeza de que iremos voltar assim que for possível, talvez após um período de chuva (que tomara que venha logo), para vermos tudo aquilo tomado pelo verde.

 

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Associação dos Guias de Turismo do Catimbau (AGTURC)
Site: agturccatimbau.blogspot.com.br
Contato: (87) 3816-3052
Pousada Santos: (87) 3855-1267

Saiba mais: 
Vale do Catimbau I – A viagem, a cidade e a vila 

José Bezerra e a arte bruta do Catimbau

Vale do Catimbau I – A viagem, a cidade e a vila

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Você já percebeu que uma das propostas do nosso blog é buscar destinos interessantes no interior, mas aqueles que não são muito conhecidos ou os que são pouco lembrados. Por isso, em quase todas as viagens que fizemos até agora, saímos de casa sem muita certeza se daria certo ou não. Às vezes o passeio não sai como planejado, e aí vem a frustração e a mudança rápida no roteiro, às vezes tudo acontece como previsto, então vem aquela satisfação pela (re)descoberta. Mas e quando o lugar surpreende? Aí a gente fica uns dias meio anestesiados, a dificuldade para selecionar as fotos é enorme, e logo vem a vontade de voltar lá assim que for possível.

Foi exatamente isso que aconteceu com nossa visita ao Vale do Catimbau, uma das 7 maravilhas de Pernambuco e ainda pouco conhecida. Saímos de casa cedinho na expectativa do que iríamos encontrar e, 235 quilômetros e algumas horas depois, demos de cara com um lugar lindo, imponente, moldado pelas forças da natureza.

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A VIAGEM
Criado em 2002, o Parque Nacional do Catimbau possui mais de 62 mil hectares de área e abrange três cidades: Buíque, Ibimirim e Tupanatinga. O acesso mais fácil é por Buíque, basta seguir pela BR-232 até Arcoverde e pegar a PE-270, em frente ao Posto BR. A estrada é boa, mas exige atenção, pois há trechos de subida com curvas acentuadas e outros com alguns buracos na faixa da esquerda.

Saímos do Recife às 5h20 e chegamos lá depois das 9h30 (com uma parada para lanche em Arcoverde), o que impossibilitou de fazermos as trilhas pela manhã. Então, para aproveitar bem, vale a pena chegar no dia anterior à noite, dormir em Buíque e no outro dia seguir para a Vila do Catimbau.

A CIDADE E A VILA
Se já é difícil encontrar informações na internet sobre o Vale do Catimbau, na cidade não é diferente. Praticamente não há sinalização indicando como chegar à vila, ou mesmo uma referência ao principal atrativo do município. Mas, sem estresse, siga pela PE-270 e, já se distanciando da área mais urbanizada, você avistará uma placa à direita indicando o Vale do Catimbau.

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A vila fica a cerca de 15 quilômetros e a estrada é de terra. Também falta sinalização, mas é fácil encontrar a Associação dos Guias de Turismo do Catimbau (AGTURC), basta perguntar a algum morador. Foi o que fizemos, e com poucas palavras já deu pra sentir o que é o Sertão.

– Bom dia, senhor, onde fica a Associação dos Guias?
– Tem errada não, tá vendo aquela igrejinha? Só entrar ali e ir em frente.
– Obrigado!
– De jeito nenhum!

A Associação fica na pracinha, em frente à igreja e ao lado de uma padaria. É lá que você vai conhecer as opções de passeios e combinar como será o seu dia no Vale do Catimbau. Mas os detalhes disso tudo a gente conta no próximo post. Por enquanto, só um aperitivo. Até lá!

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Rota alternativa dos Engenhos – Parte II

No post anterior, você viu como foram nossas visitas aos engenhos Canavieiras e Poço Comprido, em Vicência, Zona da Mata de Pernambuco. Hoje vamos falar sobre outros três destinos que visitamos naquele mesmo dia: o engenho Iguape, o Várzea Grande e o Cueirinha.

3ª parada: Engenho Iguape

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Cerca de 5 quilômetros depois do Engenho Poço Comprido, você chegará ao Engenho Iguape, nossa terceira parada. Esqueça os canaviais verdes a perder de vista, igrejinhas seculares e lindas paisagens, aqui o principal atrativo é a Casa Grande, que – aliás – surpreende.

O casarão tem cinco quartos com 16 camas, duas cozinhas, uma sala grande e um alpendre com piso de madeira. Parte da decoração é original, como foi deixada pelos antigos proprietários. Os móveis, os quadros, os lustres levam você a imaginar como era a vida naquele lugar e, claro, a se imaginar vivendo ali. O lugar é bem ventilado, mas precisa de atenção a alguns detalhes.

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O engenho Iguape oferece hospedagem/day use, conforme panfleto da Prefeitura de Vicência e como confirmou a pessoa que cuida da Casa Grande. Mas vamos ficar devendo as informações sobre valores e os contatos, pois – assim como aconteceu com o Poço Comprido – os números de telefone que estão nos folders estão desatualizados, e o site está fora do ar. A pessoa que nos recebeu e nos apresentou a casa também disse não saber informar um número que pudéssemos entrar em contato.

4ª parada: Engenho Várzea Grande

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Apenas uma parada para fotografar. É o que você vai conseguir no Engenho Várzea Grande, que fica na BR-408, entre as entradas de Buenos Aires e Vicência. Logo da rodovia você vai perceber que boa parte do engenho está em ruínas, abandonada. A beleza do engenho fica por conta das imensas palmeiras imperiais que compõem a paisagem com a ingreja e casa grande, fechadas.

O acesso ao engenho é sinalizado com placas de turismo, e o caminho da BR até lá em muito bom. Mas não ficamos muito tempo por lá, pois não achamos tão seguro.

5ª parada: Engenho Cueirinha
Nossa última parada não rendeu fotos. Infelizmente, a Pousada Rural Engenho Cuerinha, em Nazaré da Mata, encerrou suas atividades. Uma pena, pois seria uma ótima opção de hospedagem na região, ainda muito carente de hotéis e pousadas. Quem sabe um dia ela seja reaberta? A gente torce por isso.

Volta pra casa
Neste passeio que chamamos de “Rota Alternativa dos Engenhos” vimos de perto parte do potencial do turismo rural na Zona da Mata de Pernambuco, e o quanto ele poderia ser melhor aproveitado com ações simples como uma simples atualização do material de divulgação, por exemplo, ou talvez com incentivos do poder público, seja com capacitação e formação de pessoal, investimentos em infra-estrutura, linhas de crédito, parcerias, etc.

É muito bonito e nos enche de orgulho ver a imagem do caboclo de lança percorrer os quatro cantos do país e do mundo, levando o nome da Zona da Mata de Pernambuco. Mas Turismo é muito mais que isso, é bem mais que belas imagens em comerciais de TV, e já está na hora de voltarmos as atenções para o interior. É nossa terra e nossa história.

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Confira mais fotos do passeio em nossa página no Facebook e no Instagram.

Rota alternativa dos Engenhos – Parte I

Junte um pouco de coragem, disposição, paciência, água, lanche, boas companhias e um carro com o tanque cheio e pneus calibrados. Isso é basicamente o que você precisa para desbravar a zona rural dos municípios de Vicência-PE e Nazaré da Mata em uma rota alternativa dos engenhos.

Decidimos fazer isso na nossa primeira viagem de 2017 e, em uma manhã, chegamos a cinco engenhos: Canavieiras, Poço Comprido, Iguape, Várzea Grande e Cuerinha. Uma viagem que nos trouxe algumas surpresas e também algumas decepções, mas que vale muito a pena se você quer um dia de aventura.

1º parada: Engenho Canavieiras

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Localizado nos primeiros cinco quilômetros da PE-74, a caminho de Vicência, no lado direito da pista, o Engenho Canavieiras é uma propriedade particular e, infelizmente, não é aberto ao público. Porém, se a proposta é descobrir os engenhos em uma rota alternativa, você vai precisar arriscar.  Peça autorização para entrar e, caso consiga, aproveite para fazer imagens da igrejinha (construída em 1872) e da fábrica.

Conhecemos o lugar porque pelo menos uma vez no ano vamos lá visitar o túmulo do meu bisavô. Quando encontramos a porteira fechada, pedimos autorização a algum morador e explicamos a visita.

2ª parada: Engenho Poço Comprido

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Você certamente já viu alguma imagem deste engenho em materiais que fale sobre turismo rural, história ou Zona da Mata. Não é para menos: construído no século XVIII, o Poço Comprido é o único engenho de Pernambuco tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e preserva a igreja, a casa grande e a fábrica do açúcar. O lugar foi restaurado há alguns anos e virou o Museu Poço Comprido, o problema é quando você tenta marcar uma visita.

Durante uma semana, tentamos ligar para todos os telefones que encontramos nos folders, livretos, revistas e sites que falam sobre o engenho, também mandamos e-mail, mas foram várias mensagens de número inexistente e nenhuma resposta. Fomos assim mesmo e encontramos o local fechado – em pleno mês de janeiro.

Um senhor da comunidade, muito simpático e solícito, fazia a limpeza da área externa e explicou que o lugar estava fechado porque janeiro é tempo de férias escolares, e como a maior parte dos visitantes chega através das escolas, o espaço não abre. Ele também não sabia um telefone atualizado para que a gente pudesse ligar e agendar uma nova visita.

Mesmo assim, do lado de fora, você pode tirar boas fotografias e apreciar as belezas e a tranquilidade do local. Para quem gosta de pegar a estrada de barro, descobrir novos caminhos e ter boas imagens como recompensa, vale muito a pena o passeio.

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Estar lá é um misto de felicidade – por ver que o engenho está conservado e em condições de receber os visitantes – e de frustração, por perceber que isso é tão difícil por falta de atenção e de políticas públicas voltadas para o turismo rural e pedagógico.

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No próximo post falaremos sobre os engenhos Iguape, Várzea Grande e Cueirinha.

Confira mais fotos do passeio em nossa página no Facebook e no Instagram.

 

Rota dos Engenhos: Água Doce, cachaças e licores

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Se você deseja conhecer um engenho e acompanhar de perto a produção de uma boa cachaça artesanal, vale a pena conhecer o Engenho Água Doce, em Vicência-PE. Já fomos lá algumas vezes para visitar e para comprar cachaças e licores, e voltamos lá em novembro com mais dois amigos, para o #PartiuInterior.

O engenho é bem organizado e você vai aprender, com muita clareza, cada etapa da produção da cachaça, desde a origem da cana até o armazenamento e engarrafamento dos produtos. Dessa vez, quem nos explicou tudo foi o proprietário, Mário Ramos Andrade.

A visita começa pela área de moagem da cana, que é produzida sem agrotóxico e sem adubo químico. Depois, o visitante é levado a conhecer o processo de fermentação e a destilação, feita em alambique de cobre. Aqui, um detalhe: o fogo utilizado nessa fase da produção é alimentado pelo próprio bagaço da cana.

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O passo seguinte é conhecer a área de armazenamento e envelhecimento (para entender a diferença, clique aqui) da cachaça. Essa fase é determinante para a cor e o sabor da bebida, então, vale a pena ficar atento às explicações e tirar todas as dúvidas.

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O Engenho Água Doce produz três variedades de cachaça: a Prata (armazenada em barris de freijó), a Ouro (envelhecida em barris de carvalho) e a Premium (envelhecida em barril de carvalho por oito anos), que hoje é vendida exclusivamente no engenho. Também são fabricados licores de vários sabores, como cajá, banana, limão, mel de engenho, jenipapo, cachaça, entre outros.

Você pode experimentar todas as variedades de cachaça e licores no bar/loja, última etapa da visitação. Lá também é possível comprar produtos como mel de engenho, rapadura, açúcar mascavo, kits especiais para presentes e barris de 1,5l a 5l, para você envelhecer sua bebida em casa.

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Foi em uma visita ao Engenho Água Doce, há cerca de dois anos, que aprendi as primeiras coisas sobre produção artesanal de cachaça e lá comprei minha primeira garrafa, uma Ouro (670ml). É um ótimo destino para quem quer começar a viajar no mundo das cachaças artesanais.

FÁCIL DE CHEGAR
Quem vai do Recife, basta seguir pela BR-408, passa por Carpina, Tracunhaém, Nazaré da Mata, Buenos Aires e pegar a PE-74. No quilômetro dez, pouco depois da área urbanizada do município, você verá o Engenho à esquerda. Não tem erro.

CONTATOS
O site é o www.engenhoaguadoce.com.br e o telefone é o (81) 3641.1257.  O Engenho Água Doce não tem página no Facebook, mas tem no Instagram: www.instagram.com/engenhoaguadoce

Rota dos Engenhos: as belezas de Jundiá

No sábado pela manhã, saímos de casa cedo com a intenção de revisitar quatro engenhos no município de Vicência, a cerca de 83 quilômetros do Recife, na Zona da Mata de Pernambuco. A ideia era apresentar os engenhos a dois amigos que nos acompanhavam nesta viagem, e voltar no final da tarde. Mas ficamos tão encantados com as belezas e as histórias do nosso primeiro destino, o Engenho Jundiá, que fomos ficando, ficando, ficando… a manhã toda.

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A propriedade surgiu no ano de 1750, e o engenho, em 1817. A capela de Nossa Senhora da Conceição é de 1905, e na década de 1930 foi parcialmente destruída por um raio e precisou ser reconstruída.

Considero o Engenho Jundiá um dos principais e um dos melhores destinos para o Turismo Rural na Mata Norte. O conjunto arquitetônico do século XIX é encantador, assim como a bela vista da serra, que você pode apreciar do alpendre da Casa Grande, sentada(o) em uma cadeira de balanço.

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Conhecer a Casa Grande, aliás, é conhecer um pouco da história de Pernambuco e, claro, da família Correia de Oliveira Andrade, a quem a propriedade pertence desde 1879.

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Minhas primeiras lembranças do engenho são de ainda criança, quando fomos eu, meus pais, meus irmãos e minha tia ver uma competição de Voo Livre. Voltei lá diversas vezes ao longo dos anos, sempre acompanhando meu pai, que vai lá a trabalho ou para visitar o proprietário. Então, voltar ao engenho num final de semana com meus pais e com os amigos é uma oportunidade de reviver essas histórias da infância e compartilhá-las.

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OPÇÕES
As/os visitantes têm duas opções para conhecer o Engenho Jundiá. Na Visitação (R$ 20), é possível conhecer a Casa Grande, a Casa de Purgar (original, de 1817) e tem um lanche regional de boas-vindas, servido próximo a um belo jardim. Tem também o Day use (R$ 60), que inclui essas atividades da visitação, mais caminhada ambiental, trilha até o Pico do Jundiá (onde fica a capela de Nossa Senhora da Conceição) e almoço.

Lembre-se de que é preciso agendar. Você pode fazer isso através dos telefones (81) 9.9982.6111 e (81) 9.9235.1312, ou pelo e-mail engenhojundia@hotmail.com.

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CURIOSIDADES
A casa de purgar preserva a arquitetura original, além dos equipamentos para a fabricação do açúcar.

Na entrada da propriedade existe um pé de Sapucaia (árvora nativa da Mata Atlântica) que tem entre 350 a 400 anos, de acordo com o proprietário do Engenho. Você vai notá-la também em algumas fotos antigas da famílias que fazem parte da decoração da Casa Grande.

Uma das imagens da capa do nosso blog foi feita lá da pista de vôo livre, no Pico do Jundiá (470m) , há pouco mais de um ano.

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MORAL DA HISTÓRIA
Tivemos uma pequena lição nesta visita ao Jundiá: não adianta tentar fazer Turismo Rural nas pressas. A gente nunca conseguiria conhecer bem os quatro engenhos em poucas horas. Então, o melhor é se planejar e curtir cada momento do passeio, sem pressa.

Só tivemos tempo de almoçar e ir para outro Engenho, o Água Doce, que você vai conhecer no nosso próximo post. Até lá!

Bezerros: um passeio pelo artesanato de Pernambuco

Não era o que havíamos planejado para o domingo, mas imprevistos e frustrações com o nosso destino inicial  nos fizeram esticar a viagem até Bezerros, a cerca de 108 quilômetros do Recife. A decisão de mudar o rumo foi ali mesmo, na estrada, e a ideia era conhecer o Memorial J.Borges, o Centro de Artesanato, e um pouco mais sobre a tradição do Papangu. Arriscamos.

A sinalização de turismo (marrom) e as placas personalizadas nos levaram até o ateliê de Lula Vassoureiro, um dos principais artesãos de máscaras de papangu, mas talvez por ser num domingo, encontramos o local fechado.

Seguimos para o Centro de Artesanato de Pernambuco, às margens da BR-232, no sentido interior-capital. Confesso que esperava encontrar um espaço apenas dedicado aos artistas locais e ao colorido dos papangus, mas fomos surpreendidos com um lugar muito organizado, bonito, e com uma diversidade que impressiona.

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O Centro é dividido em duas partes: museu e loja. Para entrar no museu, paga-se uma taxa baratinha, apenas R$ 2, e a visita é guiada. Lá é possível encontrar peças que representam o artesanato de pelo menos 26 cidades de Pernambuco. O barro de Caruaru, Tracunhaém e Petrolina, o bordado de Passira, as redes de Tacaratu, a renascença de Pesqueira, os mamulengos de Glória do Goitá e os bonecos de madeira articulados de Carpina, e muitos outros.

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Os ambientes têm uma iluminação especial, que ressalta cada detalhe das peças. Tudo é sinalizado e muito bem explicado pela guia. É uma ótima oportunidade para conhecer os mestres e a essência do artesanato pernambucano em um só lugar.

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Terminada a visita, vale a pena passar na loja, que reúne grande variedade de peças – desde as lembrancinhas até as mais caras, para decoração.

Melhor em outro dia
Saímos do Centro de Artesanato bem satisfeitos e fomos visitar o Memorial J. Borges, também fechado naquele domingo. Pretendemos voltar lá e no Lula Vassoureiro outro dia, mas fica a dica: melhor ir em dia de semana ou, talvez, no sábado pela manhã.

Mas isso acontece: a ida para Bezerros não foi planejada, assim, não tivemos como checar o horário de funcionamento dos locais com antecedência. Conhecer o Centro de Artesanato e relembrar tantos elementos do interior de Pernambuco valeu a viagem!

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HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
O Centro de Artesanato de Pernambuco de  Bezerros funciona de segunda a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 9h às 13h.

Seja para descansar ou se divertir, um lugar para curtir a natureza

Um lugar bom para descansar e deixar a preguiça tomar conta, ou um lugar para curtir a natureza, se divertir e até voltar a ser criança? Reservamos um sábado de outubro para conhecer um lugar que oferece um pouco de cada opção: o Aparauá Ecoaventura (Engenho Massaranduba do Norte), em Goiana-PE. O Aparauá também é uma boa opção para ir com as crianças, fazer confraternizações e turismo pedagógico.

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PARA SE DESLIGAR DO MUNDO

O engenho possui várias redes para você se esticar, sob árvores ou às margens do açude, além de espreguiçadeiras e pufes. O lugar é bem tranquilo e ventilado, o que torna impossível não querer deitar e cochilar um pouco – até porque dependendo do movimento, você só vai ouvir a natureza.

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Se você quer mesmo descansar e se desligar do mundo, uma informação importante (e muito boa) é que lá celular não tem sinal. Ou seja, um dia sem checar, postar, atender, stalkear… celular só para tirar foto!

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PARA SE DIVERTIR

O Aparauá possui atividades simples, como banho de bica, passeio de barco, pesque e solte, trilhas a pé e de bicicleta. São três tipos de trilha: leve, média e pesada. Fizemos a leve (R$ 5 por pessoa), que é bem rápida, e optamos pelo trecho com subidas. Durante a caminhada, o guia falou sobre algumas árvores nativas e contou um pouco da história do engenho.

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O melhor foi poder relembrar um pouco da infância. Quando eu imaginaria poder voltar a descer num escorrego, tomar banho de bica e me pendurar num balanço de corda e madeira sob uma árvore?

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E a expectativa é que fique melhor, pois, conversando com os funcionários, soubemos que estão previstos outros atrativos ainda neste ano, como tirolesa, rapel e pedalinho.

LEVE DINHEIRO

Por não ter celular, internet ou telefone, o lugar não aceita cartão. Assim que você chega, recebe uma comanda numerada e paga tudo no final, em dinheiro. As entradas custam R$ 5 (crianças de 6 a 12 anos) e R$ 10, e algumas atividades são pagas, com preços que vão de R$ 3 (pescaria) a R$ 10. Também tem guarda-volumes (R$ 5) individuais para quem quiser alugar. O cardápio traz algumas opções de lanches (a partir de R$ 5), petiscos e almoço (a partir de R$ 50 e que servem duas pessoas).

Não esqueça de levar toalha, roupa de banho, calçados e calça para as trilhas, protetor solar e repelente. Além de máquina fotográfica, claro. Vale lembrar que, de segunda a sexta-feira, o Aparauá só abre para grupos fechados.

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COMO CHEGAR
O Aparauá fica na estrada de Pontas de Pedra (PE-49), depois de Tejucupapo e Carne de Vaca, mais precisamente no quilômetro 20. Para chegar lá, basta seguir pela BR-101 Norte e pegar a via à direita, seguindo a sinalização para a praia de Pontas de Pedra. A estrada é boa e bem sinalizada, mas por cortar um canavial, é preciso ficar atenta/o às queimadas, pois a fumaça pode invadir a pista e provocar acidentes.

É um lugar fácil de chegar, tranquilo e interessante. A gente pretende voltar com a família ou com os amigos.

SITE: www.aparaua.com.br 

Cada rótulo uma história: o Museu da Cachaça, em Lagoa do Carro-PE

Na pequena Lagoa do Carro, a 60 km do Recife, você pode passear pela história da cachaça, conhecer como ela é produzida e se impressionar com cerca de 7.500 rótulos expostos. É lá que fica o Museu da Cachaça, que visitamos no início de outubro.

O lugar foi fundado em 1998 pelo empresário José Moisés de Moura, que decidiu abrir sua coleção particular para visitação. Não tivemos oportunidade de conhecê-lo, mas fomos muito bem atendidos pela guia do local, que explicou detalhadamente cada espaço e contou a história do museu.

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O Museu da Cachaça é dividido em quatro ambientes. No primeiro, o visitante passeia pelas histórias de diversas cachaças e aguardentes de todo Brasil, divididas por temas, por localização geográfica. Um mapa de Pernambuco pintado na parede com exemplares já produzidos por aqui dá uma noção de quantos engenhos se perderam no tempo ou foram “engolidos” por grandes marcas.

Lá também se encontram exemplares raros, como uma garrafa da Monjopina – a 1ª aguardente industrializada do Brasil, produzida pelo Engenho Monjope (Igarassu-PE), em 1756 – e a Caninha Pelé, lançada na década de 70 em homenagem ao “Rei do Futebol”, mas que teve a produção encerrada por não ter a aprovação do jogador.

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A segunda e principal sala do museu é onde estão expostas cerca de 7.500 garrafas da coleção (hoje com mais de 13.800 exemplares). É possível passar horas viajando pelos nomes, histórias e ilustrações de tantos rótulos de cachaças e aguardentes, divididos por estados.  Lá também são encontrados destilados de várias partes do mundo.

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Neste ambiente, você vai perceber os efeitos do tempo e da umidade em algumas garrafas. São detalhes que podem incomodar um pouco, mas, na minha opinião, não diminuem a riqueza histórica deste lugar. É preciso compreender que o museu é mantido com recursos próprios e que cobra taxas de apenas R$ 4 e R$ 2 (meia-entrada).

Na área externa, há várias peças e reproduções de ambientes que rendem fotos divertidas. Na lojinha, você pode degustar, comprar aguardentes, cachaças artesanais e industrializadas, além de souvenirs.

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FÁCIL DE CHEGAR
É bem fácil encontrar o Museu da Cachaça. O percurso é bem sinalizado, aliás, com placas bem características.

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
Diariamente, das 9h às 17h.