Rota alternativa dos Engenhos – Parte II

No post anterior, você viu como foram nossas visitas aos engenhos Canavieiras e Poço Comprido, em Vicência, Zona da Mata de Pernambuco. Hoje vamos falar sobre outros três destinos que visitamos naquele mesmo dia: o engenho Iguape, o Várzea Grande e o Cueirinha.

3ª parada: Engenho Iguape

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Cerca de 5 quilômetros depois do Engenho Poço Comprido, você chegará ao Engenho Iguape, nossa terceira parada. Esqueça os canaviais verdes a perder de vista, igrejinhas seculares e lindas paisagens, aqui o principal atrativo é a Casa Grande, que – aliás – surpreende.

O casarão tem cinco quartos com 16 camas, duas cozinhas, uma sala grande e um alpendre com piso de madeira. Parte da decoração é original, como foi deixada pelos antigos proprietários. Os móveis, os quadros, os lustres levam você a imaginar como era a vida naquele lugar e, claro, a se imaginar vivendo ali. O lugar é bem ventilado, mas precisa de atenção a alguns detalhes.

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O engenho Iguape oferece hospedagem/day use, conforme panfleto da Prefeitura de Vicência e como confirmou a pessoa que cuida da Casa Grande. Mas vamos ficar devendo as informações sobre valores e os contatos, pois – assim como aconteceu com o Poço Comprido – os números de telefone que estão nos folders estão desatualizados, e o site está fora do ar. A pessoa que nos recebeu e nos apresentou a casa também disse não saber informar um número que pudéssemos entrar em contato.

4ª parada: Engenho Várzea Grande

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Apenas uma parada para fotografar. É o que você vai conseguir no Engenho Várzea Grande, que fica na BR-408, entre as entradas de Buenos Aires e Vicência. Logo da rodovia você vai perceber que boa parte do engenho está em ruínas, abandonada. A beleza do engenho fica por conta das imensas palmeiras imperiais que compõem a paisagem com a ingreja e casa grande, fechadas.

O acesso ao engenho é sinalizado com placas de turismo, e o caminho da BR até lá em muito bom. Mas não ficamos muito tempo por lá, pois não achamos tão seguro.

5ª parada: Engenho Cueirinha
Nossa última parada não rendeu fotos. Infelizmente, a Pousada Rural Engenho Cuerinha, em Nazaré da Mata, encerrou suas atividades. Uma pena, pois seria uma ótima opção de hospedagem na região, ainda muito carente de hotéis e pousadas. Quem sabe um dia ela seja reaberta? A gente torce por isso.

Volta pra casa
Neste passeio que chamamos de “Rota Alternativa dos Engenhos” vimos de perto parte do potencial do turismo rural na Zona da Mata de Pernambuco, e o quanto ele poderia ser melhor aproveitado com ações simples como uma simples atualização do material de divulgação, por exemplo, ou talvez com incentivos do poder público, seja com capacitação e formação de pessoal, investimentos em infra-estrutura, linhas de crédito, parcerias, etc.

É muito bonito e nos enche de orgulho ver a imagem do caboclo de lança percorrer os quatro cantos do país e do mundo, levando o nome da Zona da Mata de Pernambuco. Mas Turismo é muito mais que isso, é bem mais que belas imagens em comerciais de TV, e já está na hora de voltarmos as atenções para o interior. É nossa terra e nossa história.

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Confira mais fotos do passeio em nossa página no Facebook e no Instagram.

Rota alternativa dos Engenhos – Parte I

Junte um pouco de coragem, disposição, paciência, água, lanche, boas companhias e um carro com o tanque cheio e pneus calibrados. Isso é basicamente o que você precisa para desbravar a zona rural dos municípios de Vicência-PE e Nazaré da Mata em uma rota alternativa dos engenhos.

Decidimos fazer isso na nossa primeira viagem de 2017 e, em uma manhã, chegamos a cinco engenhos: Canavieiras, Poço Comprido, Iguape, Várzea Grande e Cuerinha. Uma viagem que nos trouxe algumas surpresas e também algumas decepções, mas que vale muito a pena se você quer um dia de aventura.

1º parada: Engenho Canavieiras

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Localizado nos primeiros cinco quilômetros da PE-74, a caminho de Vicência, no lado direito da pista, o Engenho Canavieiras é uma propriedade particular e, infelizmente, não é aberto ao público. Porém, se a proposta é descobrir os engenhos em uma rota alternativa, você vai precisar arriscar.  Peça autorização para entrar e, caso consiga, aproveite para fazer imagens da igrejinha (construída em 1872) e da fábrica.

Conhecemos o lugar porque pelo menos uma vez no ano vamos lá visitar o túmulo do meu bisavô. Quando encontramos a porteira fechada, pedimos autorização a algum morador e explicamos a visita.

2ª parada: Engenho Poço Comprido

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Você certamente já viu alguma imagem deste engenho em materiais que fale sobre turismo rural, história ou Zona da Mata. Não é para menos: construído no século XVIII, o Poço Comprido é o único engenho de Pernambuco tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e preserva a igreja, a casa grande e a fábrica do açúcar. O lugar foi restaurado há alguns anos e virou o Museu Poço Comprido, o problema é quando você tenta marcar uma visita.

Durante uma semana, tentamos ligar para todos os telefones que encontramos nos folders, livretos, revistas e sites que falam sobre o engenho, também mandamos e-mail, mas foram várias mensagens de número inexistente e nenhuma resposta. Fomos assim mesmo e encontramos o local fechado – em pleno mês de janeiro.

Um senhor da comunidade, muito simpático e solícito, fazia a limpeza da área externa e explicou que o lugar estava fechado porque janeiro é tempo de férias escolares, e como a maior parte dos visitantes chega através das escolas, o espaço não abre. Ele também não sabia um telefone atualizado para que a gente pudesse ligar e agendar uma nova visita.

Mesmo assim, do lado de fora, você pode tirar boas fotografias e apreciar as belezas e a tranquilidade do local. Para quem gosta de pegar a estrada de barro, descobrir novos caminhos e ter boas imagens como recompensa, vale muito a pena o passeio.

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Estar lá é um misto de felicidade – por ver que o engenho está conservado e em condições de receber os visitantes – e de frustração, por perceber que isso é tão difícil por falta de atenção e de políticas públicas voltadas para o turismo rural e pedagógico.

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No próximo post falaremos sobre os engenhos Iguape, Várzea Grande e Cueirinha.

Confira mais fotos do passeio em nossa página no Facebook e no Instagram.

 

Rota dos Engenhos: Água Doce, cachaças e licores

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Se você deseja conhecer um engenho e acompanhar de perto a produção de uma boa cachaça artesanal, vale a pena conhecer o Engenho Água Doce, em Vicência-PE. Já fomos lá algumas vezes para visitar e para comprar cachaças e licores, e voltamos lá em novembro com mais dois amigos, para o #PartiuInterior.

O engenho é bem organizado e você vai aprender, com muita clareza, cada etapa da produção da cachaça, desde a origem da cana até o armazenamento e engarrafamento dos produtos. Dessa vez, quem nos explicou tudo foi o proprietário, Mário Ramos Andrade.

A visita começa pela área de moagem da cana, que é produzida sem agrotóxico e sem adubo químico. Depois, o visitante é levado a conhecer o processo de fermentação e a destilação, feita em alambique de cobre. Aqui, um detalhe: o fogo utilizado nessa fase da produção é alimentado pelo próprio bagaço da cana.

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O passo seguinte é conhecer a área de armazenamento e envelhecimento (para entender a diferença, clique aqui) da cachaça. Essa fase é determinante para a cor e o sabor da bebida, então, vale a pena ficar atento às explicações e tirar todas as dúvidas.

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O Engenho Água Doce produz três variedades de cachaça: a Prata (armazenada em barris de freijó), a Ouro (envelhecida em barris de carvalho) e a Premium (envelhecida em barril de carvalho por oito anos), que hoje é vendida exclusivamente no engenho. Também são fabricados licores de vários sabores, como cajá, banana, limão, mel de engenho, jenipapo, cachaça, entre outros.

Você pode experimentar todas as variedades de cachaça e licores no bar/loja, última etapa da visitação. Lá também é possível comprar produtos como mel de engenho, rapadura, açúcar mascavo, kits especiais para presentes e barris de 1,5l a 5l, para você envelhecer sua bebida em casa.

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Foi em uma visita ao Engenho Água Doce, há cerca de dois anos, que aprendi as primeiras coisas sobre produção artesanal de cachaça e lá comprei minha primeira garrafa, uma Ouro (670ml). É um ótimo destino para quem quer começar a viajar no mundo das cachaças artesanais.

FÁCIL DE CHEGAR
Quem vai do Recife, basta seguir pela BR-408, passa por Carpina, Tracunhaém, Nazaré da Mata, Buenos Aires e pegar a PE-74. No quilômetro dez, pouco depois da área urbanizada do município, você verá o Engenho à esquerda. Não tem erro.

CONTATOS
O site é o www.engenhoaguadoce.com.br e o telefone é o (81) 3641.1257.  O Engenho Água Doce não tem página no Facebook, mas tem no Instagram: www.instagram.com/engenhoaguadoce

Rota dos Engenhos: as belezas de Jundiá

No sábado pela manhã, saímos de casa cedo com a intenção de revisitar quatro engenhos no município de Vicência, a cerca de 83 quilômetros do Recife, na Zona da Mata de Pernambuco. A ideia era apresentar os engenhos a dois amigos que nos acompanhavam nesta viagem, e voltar no final da tarde. Mas ficamos tão encantados com as belezas e as histórias do nosso primeiro destino, o Engenho Jundiá, que fomos ficando, ficando, ficando… a manhã toda.

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A propriedade surgiu no ano de 1750, e o engenho, em 1817. A capela de Nossa Senhora da Conceição é de 1905, e na década de 1930 foi parcialmente destruída por um raio e precisou ser reconstruída.

Considero o Engenho Jundiá um dos principais e um dos melhores destinos para o Turismo Rural na Mata Norte. O conjunto arquitetônico do século XIX é encantador, assim como a bela vista da serra, que você pode apreciar do alpendre da Casa Grande, sentada(o) em uma cadeira de balanço.

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Conhecer a Casa Grande, aliás, é conhecer um pouco da história de Pernambuco e, claro, da família Correia de Oliveira Andrade, a quem a propriedade pertence desde 1879.

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Minhas primeiras lembranças do engenho são de ainda criança, quando fomos eu, meus pais, meus irmãos e minha tia ver uma competição de Voo Livre. Voltei lá diversas vezes ao longo dos anos, sempre acompanhando meu pai, que vai lá a trabalho ou para visitar o proprietário. Então, voltar ao engenho num final de semana com meus pais e com os amigos é uma oportunidade de reviver essas histórias da infância e compartilhá-las.

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OPÇÕES
As/os visitantes têm duas opções para conhecer o Engenho Jundiá. Na Visitação (R$ 20), é possível conhecer a Casa Grande, a Casa de Purgar (original, de 1817) e tem um lanche regional de boas-vindas, servido próximo a um belo jardim. Tem também o Day use (R$ 60), que inclui essas atividades da visitação, mais caminhada ambiental, trilha até o Pico do Jundiá (onde fica a capela de Nossa Senhora da Conceição) e almoço.

Lembre-se de que é preciso agendar. Você pode fazer isso através dos telefones (81) 9.9982.6111 e (81) 9.9235.1312, ou pelo e-mail engenhojundia@hotmail.com.

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CURIOSIDADES
A casa de purgar preserva a arquitetura original, além dos equipamentos para a fabricação do açúcar.

Na entrada da propriedade existe um pé de Sapucaia (árvora nativa da Mata Atlântica) que tem entre 350 a 400 anos, de acordo com o proprietário do Engenho. Você vai notá-la também em algumas fotos antigas da famílias que fazem parte da decoração da Casa Grande.

Uma das imagens da capa do nosso blog foi feita lá da pista de vôo livre, no Pico do Jundiá (470m) , há pouco mais de um ano.

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MORAL DA HISTÓRIA
Tivemos uma pequena lição nesta visita ao Jundiá: não adianta tentar fazer Turismo Rural nas pressas. A gente nunca conseguiria conhecer bem os quatro engenhos em poucas horas. Então, o melhor é se planejar e curtir cada momento do passeio, sem pressa.

Só tivemos tempo de almoçar e ir para outro Engenho, o Água Doce, que você vai conhecer no nosso próximo post. Até lá!

Cachaça e turismo rural no Engenho Sanhaçu

Sabe quando você conhece um lugar muito legal e sai de lá recomendando a todo mundo e planejando voltar com mais pessoas para conhecê-lo também? Foi exatamente isso que aconteceu conosco quando visitamos o Engenho Sanhaçu, em Chã Grande (Agreste de Pernambuco), a 85 km do Recife. Fomos lá pela primeira vez em abril, voltamos no início deste mês com outras pessoas, e aproveitamos para dar o pontapé inicial do nosso projeto.

Apreciador de cachaça e curioso no assunto, tinha interesse em conhecer o engenho desde que experimentei a variedade armazenada em barris de Umburana em um estande de produtos orgânicos montado no Recife Antigo durante a Copa 2014, e soube que o lugar era aberto à visitação. Pode ser que você se pergunte “e qual a graça em conhecer uma produção de cachaça?” e eu respondo: todas. Vou explicar o porquê.

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COMO CHEGAR
É muito fácil chegar à Sanhaçu. Saindo do Recife, basta seguir pela BR-232, cruzar o túnel Cascavel e pegar o primeiro retorno, imediatamente após o posto da Polícia Rodoviária. Depois é só entrar na primeira via à direita, em frente ao hotel Highlander, percorrer uns 8 quilômetros até um posto de combustível e seguir a sinalização. (Clique aqui para ver o mapa).

O asfalto é bem conservado, sem buracos, mas as/os motoristas menos experientes precisam ficar atentas/os às curvas e subidas. Depois do estádio de futebol começa a estrada de barro, e também é bem tranquila. Nas duas vezes que fomos, estava chovendo bastante, mas o carro passou sem dificuldades.


O TOUR RURAL

Os visitantes são recebidos em uma casa muito simpática, com uma decoração bem pernambucana, e que apresenta todos os produtos Sanhaçu, expostos à venda. A visita guiada custa R$ 10 por pessoa e começa ali em frente, abaixo das árvores. O visitante conhece a horta orgânica e, em seguida, todo o processo de produção da cachaça, desde a moagem até a destilação e armazenamento, passando pela fermentação, que guarda um detalhe muito especial: acontece ao som de música clássica.

Outro detalhe é que o engenho é o primeiro do Brasil movido à energia solar.

Na sala de armazenamento – lotada de barris de carvalho, freijó e umburana – é possível conhecer também os prêmios já conquistados pelas bebidas. A Umburana foi eleita a 4ª melhor cachaça do Brasil e a Freijó a 45ª, no Ranking 2016 da Cúpula da Cachaça.

Descendo a escadaria de pneus reutilizados, chega-se a uma área de mata reflorestada pela família para proteger uma nascente. Sob as árvores, a temperatura é cerca de 4° C mais amena e outro detalhe é que com a cobertura vegetal outro olho d’água surgiu. Impressiona também comparar a paisagem atual com a sequência de fotos da mesma área, ainda degradada, em 1997, expostas ali.

A LOJA
O tour termina na loja, onde é possível degustar cachaças, licores, doces, geleias, gelatina de cachaça, mel de engenho, além de comprar souvenirs como taças, copinhos (xotes), canecas, camisas e muito mais. As variedades de cachaças são separadas por barris e por volumes, com garrafas que vão de 100 a 750ml, com preços que variam entre R$ 15 e R$ 115. Considerando meu gosto pela bebida, eu, particularmente, acho impossível sair de lá com as mãos vazias.

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DETALHES
# O sítio tem apenas 2,5 hectares, é a prova de que é possível sim criar um grande negócio respeitando a natureza e com o mínimo de impacto ambiental.

# As frutas colhidas no sítio são usadas para fazer licores e também são vendidas na lojinha.

# É possível também fazer um tour pedagógico. O lugar recebe grupos de até 120 pessoas.

# Em breve será lançada a Sanhaçu Diamante, cachaça pura.

Um detalhe importantíssimo: quando você for lá, pode me chamar, que certamente eu vou de novo.

Horário de funcionamento: Segunda a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos e feriados, das 9h às 15h. Fecha na Sexta-feira Santa, no Dia das Mães e no Ano Novo.
Facebook: @sanhacu