Engenho São Bernardo: turismo rural bem pertinho do Recife

A cidade de Paudalho, a apenas 37 quilômetros do Recife, é conhecida por ser um dos principais destinos de romeiros do Brasil, movidos pela fé em São Severino dos Ramos. Localizada às margens do rio Capibaribe, é também repleta de histórias, que podem ser relembradas em locais como a antiga ferroviária, a igreja de Santa Teresa, as ruínas do mosteiro de São Francisco e a Ponte do Itaíba, inaugurada em 1871 por Dom Pedro II. Há pouco mais de dois anos, Paudalho também entrou na rota do Turismo Rural, com o Engenho São Bernardo.

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O engenho hoje dispõe de piscinas, riacho, banhos de açude com escorrego, banho de bica e pesque-solte. Para quem prefere descansar, o local conta com um redário bem aconchegante e um píer coberto que dá vontade de passar o dia por lá aproveitando a sombra e o barulhinho tranquilo da água passando em volta. Um detalhe importante e que merece destaque é que a administração do engenho teve o cuidado de sinalizar todos os espaços com avisos de segurança.

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Já para quem quer aproveitar bem o dia, o empreendimento também dispõe de churrasqueira, área coberta e campo de futebol. Também está sendo construído um parquinho para as crianças e uma área está sendo recuperada com o plantio de árvores. Os visitantes também têm acesso à casa grande e à capela do engenho. A intenção é que, no futuro, também sejam oferecidas opções de trilhas ecológicas pela propriedade.

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AGENDAMENTO
Por enquanto, o Engenho São Bernardo só atende a grupos de 20 a 60 pessoas, através de agendamento. Os preços variam de acordo com a quantidade e com as refeições contratadas (só café da manhã ou café da manha e almoço). Não há hospedagem. O espaço também pode ser alugado para eventos como confraternizações, aniversários e casamentos.

O agendamento pode ser feito por telefone, no número (81) 99952.0177.

COMO CHEGAR
Paudalho está às margens da BR-408, então é super simples e rápido de chegar. O Engenho São Bernardo fica em frente ao engenho onde acontecem as romarias ao São Severino dos Ramos, então basta seguir a sinalização. Não tem erro, e a estrada é toda pavimentada.

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Engenho Lagoa Verde: cachaça e turismo rural em Alagoa Grande-PB

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Quem chega à simpática Alagoa Grande, na encosta da Serra da Borborema, também não pode deixar de visitar o Engenho Lagoa Verde, produtor da premiada Volúpia. Além de conhecer detalhadamente como é feita uma das principais cachaças da Paraíba, o local oferece opção de ecoturismo e a ótima cozinha regional, do restaurante Banguê.

O mês de outubro é a melhor época para visitar o Lagoa Verde, pois é quando o engenho retoma a moagem da cana. Um detalhe bem legal desta etapa do processo é que a moenda de lá ainda funciona com máquina a vapor.

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Você também vai poder ver a sala de fermentação, que contém cerca de 20 tonéis, a sala de envasamento e de rotulagem do produto e, em seguida, visitar a área onde estão os três alambiques de cobre. Tudo bastante limpo e organizado a fim de garantir a qualidade das cerca de 600 garrafas (670ml) produzidas diariamente.

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É impossível não se impressionar com a adega, onde ficam os diversos barris de freijó e carvalho, e com o depósito onde estão dornas de até 10.000 litros. Detalhe: não fazem parte da visita outras dornas gigantescas de 35.000 e 140.000 litros.

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Há, ainda, uma sala de degustação em que estão à disposição provas de cachaças e dos coquetéis de frutas, e uma lojinha, onde se compra garrafas de vários tamanhos (de vidro ou de porcelana), lembrancinhas, livros e doces produzidos na região. O visitante também encontra expostas algumas garrafas com o antigo rótulo da marca e prêmios ganhos pela Volúpia.

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ECOTURISMO
Para o passeio ficar completo, a pedida é agendar uma trilha (trekking) pelo engenho. São quatro opções, com níveis de dificuldades e percursos distintos. O agendamento pode ser feito por telefone (83-999820407).

FORRÓ
Todos os sábados, durante o almoço, tem forró pé-de-serra ao vivo, no restaurante.

COMO CHEGAR?
Após o centro de Alagoa Grande, siga em direção à saída que leva à Areia. Imediatamente antes da ponte na encosta da serra, vire à esquerda. Você passará por uma pequena vila e, em seguida, precisará percorrer cerca de 2,5km em uma estrada de barro. O Engenho Vale Verde estará à sua esquerda.

SITE: cachacavolupia.com.br
FACEBOOK: www.facebook.com/cachacavolupia

 

Visita ao Engenho Triunfo

Produtor de uma das cachaças paraibanas mais conhecidas e dona de um rótulo singular que homenageia a cidade de Areia, o Engenho Triunfo é um bom destino para quem aprecia a bebida. Fica pertinho da cidade, é bem fácil de chegar e, além de conhecer todo o processo de produção da caninha, o visitante ainda compra cachaças exclusivas, que só se encontra por lá.

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A Cachaça Triunfo foi criada em 1994 pelo casal Antônio Augusto e Maria Júlia. Foram várias tentativas e muito trabalho, até que a família chegou na receita ideal da bebida, que caiu no gosto do povo – a um preço bastante acessível. Hoje a Triunfo produz 250 mil garrafinhas (250 ml) por mês e gera cerca de 70 empregos diretos e 1000 indiretos, movimentando o turismo e a economia da região (saiba mais aqui).

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O engenho fica localizado na zona rural de Areia, próximo à Casa do Doce. Para chegar lá, basta seguir pela PB-079 e entrar à esquerda após o campus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A visita custa R$ 5 por pessoa, mas hóspedes do Hotel Fazenda Triunfo (foi o nosso caso) não pagam a entrada – lembre-se de pedir os tickets para a visita na recepção do hotel.

A visita é guiada e dura cerca de uma hora. Dependendo da época do ano você poderá ver todo o processo de produção, desde a moagem até o envazamento. Mas, caso você vá no período da entressafra, não se preocupe: você vai receber todas as explicações sobre os processos de produção da bebida. Vale lembrar que a partir do mês de setembro começa a colheita da cana, então, é uma boa época para visitar os engenhos do Brejo Paraibano.

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Além da cachaça pura (a branquinha), a Triunfo hoje produz outras quatro variedades: as armazenadas (por seis meses) em barris de umburana, carvalho e jequitibá rosa, e ainda a bidestilada, uma edição limitada, vendida em uma garrafa de porcelana preta e dourada.

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A Triunfo branquinha e a armazenada em barril de umburana podem ser encontradas no mercado, mas as armazenadas em Carvalho, em Jequitibá Rosa e a Bidestilada, você só encontra na lojinha do engenho. Lá são vendidas garrafas de vários estilos, tamanhos e cores, além de canecas, xotes e outras lembrancinhas. Lembre-se de levar dinheiro em espécie, pois o sinal da internet não é muito bom e a maquininha pode não funcionar.

 

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CACHAÇA TRIUNFO
Site: cachacatriunfo.com.br
No Facebook: https://www.facebook.com/cachacatriunfooficial/

Uma viagem pelo Brejo Paraibano

Em nossa primeira viagem pelo Partiu Interior fora de Pernambuco, conhecemos um pouco do Brejo Paraibano, uma região que encanta e surpreende, onde Turismo Rural, Turismo de Aventura e Turismo Histórico e Cultural caminham lado a lado. Foram três dias intensos, percorrendo alguns dos principais atrativos dos municípios de Alagoa Grande e de Areia, e os detalhes dessas visitas você acompanha aqui, ao longo das próximas semanas.

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PARA TODOS OS GOSTOS
O Brejo Paraibano reúne um casario antigo e preservado, cercado por belas paisagens naturais. Possui muitas e boas opções para quem gosta de cachaça, outras para quem curte conhecer engenhos, casas e histórias do século passado, também para quem prefere se aventurar em trilhas a pé ou de 4×4 e, claro, para quem quer simplesmente comer bem e descansar.

“Como vocês descobriram essas cidades? O que tem por lá?” Essas foram algumas das perguntas que mais ouvimos nos dias que antecederam nossa viagem. E não é para menos: se o próprio interior de Pernambuco ainda é pouco conhecido por boa parte dos pernambucanos, imagine duas pequenas cidades localizadas a mais de 100 quilômetros da capital paraibana? Pois bem, respondendo, nosso primeiro contato com Alagoa Grande e Areia foi a partir da publicação Roteiro Integrado da Civilização do Açúcar, elaborado pelo SEBRAE e lançado em 2009.

Como o material está perto de completar dez anos, foi preciso pesquisar e telefonar para engenhos, museus, hotéis afim de sabermos o que (ainda) tem por lá. Com nossa listinha de locais para visitar, partimos no dia 1º de maio.

EM ALAGOA GRANDE
Localizada na encosta da Serra da Borborema, Alagoa Grande fica distante 103 quilômetros de João Pessoa (PB) e possui um dos portais mais legais que já passamos até hoje: um pandeiro gigante, referência ao seu filho ilustre, o Jackson do Pandeiro.

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A visita ao Espaço Cultural Jackson do Pandeiro é parada obrigatória. Lá você vai encontrar documentos, discos e objetos pessoais do chamado Rei do Ritmo. Um lugar sensacional para quem gosta de música popular.

É interessante visitar também o Museu Margarida Maria Alves, agricultora e líder sindical que foi assassinada dentro de casa em 1983 por lutar pelos diretos trabalhistas de agricultoras e agricultores. Conhecer este lugar é vivenciar a luta de uma mulher que inspira trabalhadoras do campo até hoje através da Marcha das Margaridas (Clique aqui para saber mais).

Ainda em Alagoa Grande, vale muito a pena visitar o Engenho Lagoa Verde, que produz a premiada cachaça Volúpia. Distante cerca de 2,5km da área urbana, o lugar é ideal para conhecer o processo de fabricação da bebida e ainda conta com um restaurante rural, o Banguê. Agendando também é possível fazer trilha (trekking) na mata serrana nativa preservada no engenho.

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EM AREIA
No topo da Serra da Borborema, a 618 metros de altitude, está a simpática Areia. O conjunto arquitetônico da cidade é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 2006, e cercado por belas vistas da serra.

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Passear pelo centro da cidade já é, por si só, um atrativo, é como se você viajasse pelo tempo até o século XIX. Na área tombada, são aproximadamente 420 imóveis, entre os quais se destacam o Solar José Rufino – um casarão que contém uma das duas únicas senzalas urbanas do Brasil ainda preservadas – a casa do pintor Pedro Américo, o Museu regional de Areia e a Budega do Vavá, um ótimo lugar para comprar cachaça, doces, rapadura, mel de engenho e lembrancinhas.

Comida boa e Turismo Rural também não faltam. Vale a pena almoçar no Restaurante Vó Maria – comida regional, sem agrotóxicos a um preço justo – e jantar no sofisticado Bambu Brasil. A sobremesa fica por conta da Casa do Doce, um destino imperdível, cheio de sabores. Perto de lá, siga até o Engenho Triunfo para conhecer a produção de uma das cachaças mais vendidas da Paraíba e que leva o belo casario de Areia estampado no rótulo.

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COMO CHEGAR
Do Recife até a cidade de Alagoa Grande existem duas opções, mas a que recomendamos é: ir pela BR-101 até João Pessoa e de lá pegar a BR-230 – a famosa Rodovia Transamazômica – até Juarez Távora e de lá seguir pela PB-79. As BRs são duplicadas e bem conservadas, e a rodovia estadual também não tem problemas, é segura e bem sinalizada. A subida da serra é íngreme  e com curvas acentuadas, mas basta manter-se atento(a) e dentro do limite de velocidade.

A outra opção – apontada pelo Google como a mais rápida – é seguir pela BR-101 até Goiana e lá pegar a PE-75/BR-408 para Pedra de Fogo, Itabaiana e depois a BR-230 e PB-79. No entanto, não recomendamos este caminho. Voltamos por ele e, no lado pernambucano, passamos por muitos buracos (que obrigam você a parar ou pegar a contra-mão), trechos em reformas e curvas perigosas. Não compensam os minutinhos a menos.

CONTINUA
Todos os detalhes destes locais você conhecerá em nossas próximas postagens, pois é tanta coisa boa em Alagoa Grande e Areia que tornaria o texto interminável.

Rota alternativa dos Engenhos – Parte II

No post anterior, você viu como foram nossas visitas aos engenhos Canavieiras e Poço Comprido, em Vicência, Zona da Mata de Pernambuco. Hoje vamos falar sobre outros três destinos que visitamos naquele mesmo dia: o engenho Iguape, o Várzea Grande e o Cueirinha.

3ª parada: Engenho Iguape

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Cerca de 5 quilômetros depois do Engenho Poço Comprido, você chegará ao Engenho Iguape, nossa terceira parada. Esqueça os canaviais verdes a perder de vista, igrejinhas seculares e lindas paisagens, aqui o principal atrativo é a Casa Grande, que – aliás – surpreende.

O casarão tem cinco quartos com 16 camas, duas cozinhas, uma sala grande e um alpendre com piso de madeira. Parte da decoração é original, como foi deixada pelos antigos proprietários. Os móveis, os quadros, os lustres levam você a imaginar como era a vida naquele lugar e, claro, a se imaginar vivendo ali. O lugar é bem ventilado, mas precisa de atenção a alguns detalhes.

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O engenho Iguape oferece hospedagem/day use, conforme panfleto da Prefeitura de Vicência e como confirmou a pessoa que cuida da Casa Grande. Mas vamos ficar devendo as informações sobre valores e os contatos, pois – assim como aconteceu com o Poço Comprido – os números de telefone que estão nos folders estão desatualizados, e o site está fora do ar. A pessoa que nos recebeu e nos apresentou a casa também disse não saber informar um número que pudéssemos entrar em contato.

4ª parada: Engenho Várzea Grande

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Apenas uma parada para fotografar. É o que você vai conseguir no Engenho Várzea Grande, que fica na BR-408, entre as entradas de Buenos Aires e Vicência. Logo da rodovia você vai perceber que boa parte do engenho está em ruínas, abandonada. A beleza do engenho fica por conta das imensas palmeiras imperiais que compõem a paisagem com a ingreja e casa grande, fechadas.

O acesso ao engenho é sinalizado com placas de turismo, e o caminho da BR até lá em muito bom. Mas não ficamos muito tempo por lá, pois não achamos tão seguro.

5ª parada: Engenho Cueirinha
Nossa última parada não rendeu fotos. Infelizmente, a Pousada Rural Engenho Cuerinha, em Nazaré da Mata, encerrou suas atividades. Uma pena, pois seria uma ótima opção de hospedagem na região, ainda muito carente de hotéis e pousadas. Quem sabe um dia ela seja reaberta? A gente torce por isso.

Volta pra casa
Neste passeio que chamamos de “Rota Alternativa dos Engenhos” vimos de perto parte do potencial do turismo rural na Zona da Mata de Pernambuco, e o quanto ele poderia ser melhor aproveitado com ações simples como uma simples atualização do material de divulgação, por exemplo, ou talvez com incentivos do poder público, seja com capacitação e formação de pessoal, investimentos em infra-estrutura, linhas de crédito, parcerias, etc.

É muito bonito e nos enche de orgulho ver a imagem do caboclo de lança percorrer os quatro cantos do país e do mundo, levando o nome da Zona da Mata de Pernambuco. Mas Turismo é muito mais que isso, é bem mais que belas imagens em comerciais de TV, e já está na hora de voltarmos as atenções para o interior. É nossa terra e nossa história.

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Confira mais fotos do passeio em nossa página no Facebook e no Instagram.

Rota alternativa dos Engenhos – Parte I

Junte um pouco de coragem, disposição, paciência, água, lanche, boas companhias e um carro com o tanque cheio e pneus calibrados. Isso é basicamente o que você precisa para desbravar a zona rural dos municípios de Vicência-PE e Nazaré da Mata em uma rota alternativa dos engenhos.

Decidimos fazer isso na nossa primeira viagem de 2017 e, em uma manhã, chegamos a cinco engenhos: Canavieiras, Poço Comprido, Iguape, Várzea Grande e Cuerinha. Uma viagem que nos trouxe algumas surpresas e também algumas decepções, mas que vale muito a pena se você quer um dia de aventura.

1º parada: Engenho Canavieiras

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Localizado nos primeiros cinco quilômetros da PE-74, a caminho de Vicência, no lado direito da pista, o Engenho Canavieiras é uma propriedade particular e, infelizmente, não é aberto ao público. Porém, se a proposta é descobrir os engenhos em uma rota alternativa, você vai precisar arriscar.  Peça autorização para entrar e, caso consiga, aproveite para fazer imagens da igrejinha (construída em 1872) e da fábrica.

Conhecemos o lugar porque pelo menos uma vez no ano vamos lá visitar o túmulo do meu bisavô. Quando encontramos a porteira fechada, pedimos autorização a algum morador e explicamos a visita.

2ª parada: Engenho Poço Comprido

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Você certamente já viu alguma imagem deste engenho em materiais que fale sobre turismo rural, história ou Zona da Mata. Não é para menos: construído no século XVIII, o Poço Comprido é o único engenho de Pernambuco tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e preserva a igreja, a casa grande e a fábrica do açúcar. O lugar foi restaurado há alguns anos e virou o Museu Poço Comprido, o problema é quando você tenta marcar uma visita.

Durante uma semana, tentamos ligar para todos os telefones que encontramos nos folders, livretos, revistas e sites que falam sobre o engenho, também mandamos e-mail, mas foram várias mensagens de número inexistente e nenhuma resposta. Fomos assim mesmo e encontramos o local fechado – em pleno mês de janeiro.

Um senhor da comunidade, muito simpático e solícito, fazia a limpeza da área externa e explicou que o lugar estava fechado porque janeiro é tempo de férias escolares, e como a maior parte dos visitantes chega através das escolas, o espaço não abre. Ele também não sabia um telefone atualizado para que a gente pudesse ligar e agendar uma nova visita.

Mesmo assim, do lado de fora, você pode tirar boas fotografias e apreciar as belezas e a tranquilidade do local. Para quem gosta de pegar a estrada de barro, descobrir novos caminhos e ter boas imagens como recompensa, vale muito a pena o passeio.

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Estar lá é um misto de felicidade – por ver que o engenho está conservado e em condições de receber os visitantes – e de frustração, por perceber que isso é tão difícil por falta de atenção e de políticas públicas voltadas para o turismo rural e pedagógico.

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No próximo post falaremos sobre os engenhos Iguape, Várzea Grande e Cueirinha.

Confira mais fotos do passeio em nossa página no Facebook e no Instagram.

 

Rota dos Engenhos: as belezas de Jundiá

No sábado pela manhã, saímos de casa cedo com a intenção de revisitar quatro engenhos no município de Vicência, a cerca de 83 quilômetros do Recife, na Zona da Mata de Pernambuco. A ideia era apresentar os engenhos a dois amigos que nos acompanhavam nesta viagem, e voltar no final da tarde. Mas ficamos tão encantados com as belezas e as histórias do nosso primeiro destino, o Engenho Jundiá, que fomos ficando, ficando, ficando… a manhã toda.

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A propriedade surgiu no ano de 1750, e o engenho, em 1817. A capela de Nossa Senhora da Conceição é de 1905, e na década de 1930 foi parcialmente destruída por um raio e precisou ser reconstruída.

Considero o Engenho Jundiá um dos principais e um dos melhores destinos para o Turismo Rural na Mata Norte. O conjunto arquitetônico do século XIX é encantador, assim como a bela vista da serra, que você pode apreciar do alpendre da Casa Grande, sentada(o) em uma cadeira de balanço.

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Conhecer a Casa Grande, aliás, é conhecer um pouco da história de Pernambuco e, claro, da família Correia de Oliveira Andrade, a quem a propriedade pertence desde 1879.

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Minhas primeiras lembranças do engenho são de ainda criança, quando fomos eu, meus pais, meus irmãos e minha tia ver uma competição de Voo Livre. Voltei lá diversas vezes ao longo dos anos, sempre acompanhando meu pai, que vai lá a trabalho ou para visitar o proprietário. Então, voltar ao engenho num final de semana com meus pais e com os amigos é uma oportunidade de reviver essas histórias da infância e compartilhá-las.

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OPÇÕES
As/os visitantes têm duas opções para conhecer o Engenho Jundiá. Na Visitação (R$ 20), é possível conhecer a Casa Grande, a Casa de Purgar (original, de 1817) e tem um lanche regional de boas-vindas, servido próximo a um belo jardim. Tem também o Day use (R$ 60), que inclui essas atividades da visitação, mais caminhada ambiental, trilha até o Pico do Jundiá (onde fica a capela de Nossa Senhora da Conceição) e almoço.

Lembre-se de que é preciso agendar. Você pode fazer isso através dos telefones (81) 9.9982.6111 e (81) 9.9235.1312, ou pelo e-mail engenhojundia@hotmail.com.

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CURIOSIDADES
A casa de purgar preserva a arquitetura original, além dos equipamentos para a fabricação do açúcar.

Na entrada da propriedade existe um pé de Sapucaia (árvora nativa da Mata Atlântica) que tem entre 350 a 400 anos, de acordo com o proprietário do Engenho. Você vai notá-la também em algumas fotos antigas da famílias que fazem parte da decoração da Casa Grande.

Uma das imagens da capa do nosso blog foi feita lá da pista de vôo livre, no Pico do Jundiá (470m) , há pouco mais de um ano.

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MORAL DA HISTÓRIA
Tivemos uma pequena lição nesta visita ao Jundiá: não adianta tentar fazer Turismo Rural nas pressas. A gente nunca conseguiria conhecer bem os quatro engenhos em poucas horas. Então, o melhor é se planejar e curtir cada momento do passeio, sem pressa.

Só tivemos tempo de almoçar e ir para outro Engenho, o Água Doce, que você vai conhecer no nosso próximo post. Até lá!