O Turismo Rural só tende a crescer

A presidente da Associação Pernambucana de Turismo Rural (Apeturr), Fátima Magalhães,  analisa o Turismo Rural em nosso estado e diz o que espera do setor para os próximos anos

Cada vez mais, as pessoas que moram nos grandes centros urbanos procuram um lugar no campo e encontram no Turismo Rural a oportunidade de vivenciar experiências que as desliguem da rotina, do estresse, e as conecte com a simplicidade, com a natureza, ou mesmo com as próprias origens. Pelos seus patrimônios histórico e natural, e por toda sua diversidade, Pernambuco concentra um grande potencial para este segmento. Sobre isso, entrevistamos a presidente da Associação Pernambucana de Turismo Rural (Apeturr), Fátima Magalhães, que nos recebeu no último dia 11, no estande da associação na 26ª Agrinordeste. Ela falou sobre o Turismo Rural em nosso estado, apontou caminhos para que Pernambuco consiga explorar todo seu potencial e explicou como é o trabalho da Apeturr, que hoje conta com treze associados na Zona da Mata e no Agreste. Confira!

Partiu Interior –  Como a senhora percebe o Turismo Rural hoje em Pernambuco?

Fátima Magalhães – Eu acredito que o Turismo Rural só tende a crescer. Quando eu comecei, há nove anos (ela é proprietária do Refúgio do Rio Bonito, no município de Bonito-PE), a procura era bem menor do que é agora. Eu sinto que as pessoas dos grandes centros estão, cada vez mais, necessitando do lugar no campo. Como o Turismo Rural é o turismo de experiência, por excelência, é onde você vai vivenciar o cotidiano do campo, ele se torna muito diferenciado e isto está encantando cada vez mais essas pessoas. No Turismo Rural você não tem só o lazer, você tem o Turismo Ecológico, de Aventura, você tem cachoeiras, têm trabalhos dentro de reservas, até mesmo de exploração de trilhas, e também essa parte agrícola. Então você tem oportunidade de vivenciar muita coisa, é bem diversificado.

Jundiá Acervo Empetur

Engenho Jundiá (Crédito da Imagem: Acervo Empetur)

Partiu Interior – E qual o caminho para que a gente consiga explorar todo esse potencial?

Fátima Magalhães – Olha, o poder público precisa melhorar as estradas, os acessos, sinalização… É preciso investir no interior, porque o interior tem muito o que mostrar. Se você entrar em todos os estados do interior do Nordeste – não só em Pernambuco – você tem cultura, história, gastronomia, música, artesanato, artes plásticas. Divulgar tudo isso é muito importante. Falando por mim, às vezes chegam clientes dizendo “vocês precisam divulgar isso, Bonito está tão perto do Recife e a gente não conhece essa maravilha”. Nós não temos recurso para anunciar nas grandes mídias, a divulgação que a gente faz são as mídias sociais e nas feiras. Essa divulgação maior é o estado que precisa fazer, de convidar para vir para o interior. Já começou, mas é preciso mais.  

Falta também segurança. É preciso dar segurança para quem está na estrada, para quem está no município visitando. Então, o caminho é investir em bons acessos, segurança e divulgação, o poder público precisa garantir isso para que o empresário que está ali investindo tenha o seu retorno.

Partiu Interior – Nós vemos pouca divulgação por parte do poder público sobre o interior, exceto no período de Carnaval…

Fátima Magalhães – É. Sem querer fazer apologia a ninguém, a nenhum político, mas eu posso datar que do governo de Eduardo Campos para cá, ele voltou o olhar para o interior, foi quando a gente começou a ver um pouco mais de divulgação. O Ministério do Turismo também começou a fazer filmes veiculados em grandes emissoras abertas. Então, começou, mas a gente precisa de muito mais.

Aparaua Partiu Interior

Aparauá Eco Aventura (Crédito da Imagem: Acervo Partiu Interior, 2016)

P.I. – Quantos associados compõem hoje a  Apettur e como ela trabalha?

F.M. – Hoje a Associação Pernambucana de Turismo Rural é composta por treze associados, sendo 7 com hospedagem, 4 com day use, 1 com passeios de balão (em Bonito-PE) e pelo menos 4 com turismo pedagógico. São 6 associados na Zona da Mata – Norte e Sul – e 7 no Agreste. O interessante é que cada um tem sua característica, por exemplo: o Aparauá, em Goiana, é um ambiente de rio com braço de mar, com vegetação preservada, com resquício de Mata Atlântica, mas um ambiente completamente diferente de São Benedito do Sul. Ou seja, cada um com um diferencial, e estamos unidos, dentro da associação, com o objetivo de trabalharmos juntos pelo Turismo Rural, mas cada um com sua peculiaridade. Outra característica nossa é que a maioria é mulher.

P.I. – Como funciona para novos associados? Geralmente a pessoa procura a associação e vocês fazem o acompanhamento?

F.M. – Isso, aqui na Agrinordeste nós tivemos várias pessoas interessadas, o que me surpreendeu. A procura foi grande, para saber como desenvolver dentro de uma propriedade rural – de alguma forma ela está tentando melhorar o rendimento, diversificar – e querendo saber como faz para ser associada. Para se associar, nós primeiro  fazemos uma visita ao local, vamos conhecer o perfil, até mesmo para aprofundar mais a ideia, se tem aptidão, se a pessoa está disposta a abrir mão… de repente tem situações em que você vai abrir a sua casa, então é preciso ver se é isso mesmo que a pessoa quer, para que a gente dê orientações mínimas e também possa indicar onde buscar ajuda, como Sebrae, Empetur, Secretaria de Turismo, o município, as secretarias municipais, por exemplo. Este é um trabalho em que você não pode ficar isolado. A pessoa estar associado já é um grande ganho, porque ela só vai poder receber ajuda do Ministério do Turismo, das secretarias de Turismo, da Empetur e do Sebrae se estiver dentro de uma associação.

P.I.- E, depois de associado, há o acompanhamento…

F.M. – É, uma vez que você está associado, a gente faz reuniões uma vez por mês, onde a gente transforma isso em um encontro, uma troca de experiência, de informações, negativas ou positivas, para que todos fiquem por dentro, afinal isso não deixa de ser uma rede, não é? Através da Empetur, do Sebrae e da Secretaria de Turismo a gente participa de outros eventos, feiras, com material. Nem sempre a gente coloca estande, como na Agrinordeste, mas a gente coloca o nosso material e todos os associados são divulgados. Agora, no dia 20 de outubro vai acontecerá uma feira em João Pessoa, onde vamos apresentar para as agências que trabalham com Turismo como um todo. A gente participa também da RuralTur, que é um evento importante – ano passado foi em Gravatá, e este ano será na Paraíba. Nós também fizemos parceria com a Associação de Produtores de Cana, Aguardente e Rapadura (APAR), porque acreditamos que Turismo Rural e cachaça têm tudo a ver.

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Cachaça Sanhaçu (Crédito da Imagem: Acervo Partiu Interior, 2016)

P.I.- Existe uma rede de associações no Nordeste?

F.M. – No Nordeste, Pernambuco é o estado que hoje está mais organizado, em Turismo Rural. A associação é uma das mais fortes, mas a gente também trabalha junto. Temos a Abraturr, que é a associação brasileira e abraça todas essas associações, então estamos juntos.

 

P.I. – O que a senhora espera do Turismo Rural em Pernambuco

F.M. – Eu espero que esta crise financeira esteja acabando e as pessoas voltem a poder investir no lazer, porque esses últimos quatro anos foram complicados. Um dos fatores que fizeram reduzir o número de associados foi, primeiro, a seca – teve gente que não teve água para continuar e fechou – e outro foi a questão de ter esvaziado mesmo. Quando o município não é um destino e que você é o único atrativo, aí fica difícil. Eu estou num município que é um destino (Bonito-PE), mas temos associado que é o único atrativo, por exemplo, a Fazenda Betânia, em São Benedito do Sul. As pessoas vão especificamente para a fazenda Betânia, e não para São Benedito do Sul. Tiveram outros associados que estavam em situação difícil e não conseguiram permanecer, porque não tinham apoio do município, e o município não conseguia sobressair em nada.

Eu aposto que, ano a ano, a gente vai conseguir superar as dificuldades… Eu estou apostando que o Turismo Rural tem tudo para crescer.

SAIBA MAIS
De acordo com dados da Apeturr, atualmente os treze empreendimentos associados geram 630 empregos e oferecem 1.778 leitos. Clique aqui para saber mais sobre os associados da Apeturr.

Conheça os empreendimentos e as associações citadas na entrevista:
Refúgio do Rio Bonito: www.refugiodoriobonito.com.br
Aparauá: www.aparaua.com.br  e Partiu Interior no Aparauá (2016)
Fazenda Betânia: www.instagram.com/hotelfazendabetania
APAR: www.cachacasdepernambuco.com.br
Abraturr: https://www.facebook.com/profile.php?id=100013423926459
Apeturr: www.apeturr.com.br

Expedição pelos engenhos da Mata Sul de Pernambuco

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Em quase dois anos do Partiu Interior, nós já visitamos, em Pernambuco, cidades do Sertão, do Agreste e de uma parte da Zona da Mata, mas faltava conhecer outra parte, igualmente rica em histórias: a Zona da Mata Sul. A oportunidade veio em 25 de agosto de 2018, quando participamos da Expedição Engenhos da Mata Sul, organizada pelo grupo Passeios Off Road Pernambuco.

Os quatro engenhos que visitamos ficam nos municípios de Escada e Ipojuca, ambos na Região Metropolitana do Recife. O passeio começou pela BR-101 Sul, e depois muita lama, buraco e pedra, uma boa pedida para quem gosta de aventura.

Engenho Limoeiro Velho

Engenho Limoeiro Velho 2

A primeira parada foi em Escada, no Engenho Limoeiro Velho, onde há um belo casarão, cercado por um jardim impecável. Sempre que visito um engenho tento imaginar como aquilo foi planejado, construído, enfim, como foi a vida ali. Desta vez também imaginei que talvez funcionasse bem um hotel fazenda por lá. Quem sabe um dia a gente ganhe na Mega-Sena e…

Engenho Jundiá

Engenho Jundiá

O segundo engenho que visitamos foi o Jundiá, onde o pintor mundialmente conhecido Cícero Dias nasceu, em 5 de março de 1907, e morou até os 13 anos. Eu já sabia que a casa grande estava em ruínas, mas mesmo assim estava ansioso para vê-lo de perto, pois só o conhecia da poesia e da crônica do poeta de Nazaré da Mata, Mauro Mota.

Soneto de Jundiá e Cícero Dias

O engenho, o cabriolé, as arapucas,
o trem, a mata, o sino da capela,
compadre Zuca, a vaca Zeferina,
dezembro das meninas no colégio.

Rio, canas, cajás, canoa, a doida,
o cio da égua, a casa de farinha,
o terraço, o gamão, o avô, o padre,
os cabaços de mel e de mulatas.

Velas, terços, mistérios de botijas,
lobisomem, coruja, noite, rede,
tia Raquel e os medos do menino,

O pastoril da Aurora, os manacás,
galopes do cavalo ruço-pombo,
esporas do meu pai no patamar.

(Do livro: Mauro Mota – 100 poemas escolhidos. Editora CEPE. 2011)

Engenho Jundiá 2

Engenho União

engenho União

Em Ipojuca, visitamos o engenho União, dentro da usina de mesmo nome. Os imóveis e a igreja são bastante preservados, e, no local, está exposta uma locomotiva a vapor bem preservada.

Engenho Gaipió

engenho gaipió

Para encerrar o passeio pelos engenhos, visitamos o Gaipió. A estrada de terra até lá é longa, mas com passagens em ponte sobre o rio Ipojuca, áreas de mata preservada e canaviais. Vale a pena apreciar. O engenho é bem bonito, mas o tempo tem deixado sinais de desgaste.

Em nosso canal no Youtube, postamos um vídeo sobre a Expedição pelos Engenhos da Mata Sul. Confira:

 

 

Tudo sobre o teleférico de Bonito (PE)

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Desde quando começamos a postar as fotos da nossa viagem a Bonito, várias pessoas têm dito que não sabiam que a cidade havia inaugurado um teleférico e se mostraram bastante interessadas em experimentar essa novidade. Então, decidimos fazer um texto só sobre estre atrativo, com os principais detalhes que você precisa saber antes de visitá-lo.

Vale muito a visita,  e tem tudo para se tornar um dos locais mais visitados de Bonito. Ou seja, é bom já incluir a visita ao teleférico no seu roteiro.

LOCALIZAÇÃO E ESTACIONAMENTO
A estação do teleférico fica no Pátio de Eventos da cidade, localizado na rua Sebastião Rangel, no centro, próximo ao mercado público e ao lado da Caixa Econômica Federal. O lugar tem um estacionamento amplo e gratuito. Confira aqui o mapa.

A pracinha sob a estação é um atrativo a parte: vários senhorezinhos e senhorinhas acompanhando o movimento – bem característico das cidades do interior -, as crianças brincando e os casais conversando sem preocupação.

Teleférico

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
O teleférico funciona de quinta a domingo, no horário das 9h às 17h. As cabines completam o percurso de 1,2 km em aproximadamente 12 a 15 minutos, considerando o tempo de embarque e desembarque.

O equipamento tem capacidade para transportar 92 pessoas por hora, mas no dia em que fomos, um domingo, a fila estava grande e dificilmente as cabines eram ocupadas em sua capacidade máxima (4 pessoas). Por isso, recomendamos que você reserve uma manhã ou uma tarde inteira da sua viagem para conhecer o teleférico.

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INGRESSOS
Os ingressos custam R$ 30, e tem meia-entrada (R$ 15) para estudantes, professores, idosos, deficientes e jovens de baixa renda inscritos do CadÚnico. As vendas acontecem somente na bilheteria e, se comprado até as 15h, dão direito a ida e volta no teleférico. Ingressos adquiridos após esse horário dão direito a volta de van. As vendas são encerradas 30 minutos antes da última viagem.

O ticket é dividido em duas partes, e você entrega cada uma delas momentos antes de entrar nas cabines. Uma pena para quem coleciona (é o nosso caso), pois você não fica com nenhuma parte do ingresso.

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LÁ EM CIMA
O teleférico parte do pátio de eventos para o topo da Serra do Araticum, a 700 metros de altitude, em relação ao nível do mar. Lá em cima tem sorveteria, lanchonete e pracinhas muito organizadas, além da capela da Nossa Senhora de Mont Serrat. Mas o principal atrativo é mesmo a vista encantadora que você tem lá do alto.

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Apreciar o pôr do sol enquanto saboreia um café naquele friozinho de agosto faz valer qualquer espera e torna o passeio ao teleférico um atrativo imperdível para quem vai a Bonito.

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Saiba mais:

Fim de semana em Bonito (PE): muito além das cachoeiras

Cachoeira Barra Azul Bonito Partiu InteriorDemorou, mas finalmente visitamos Bonito, no Agreste pernambucano. Dona de belas cachoeiras e de paisagens encantadoras,  a simpática cidade não precisou de muito tempo para nos convencer: é um dos melhores destinos que visitamos em dois anos de #PartiuInterior.
Belezas naturais, esportes radicais, teleférico e ótimas opções de hospedagem fazem de Bonito a principal referência de Ecoturismo em Pernambuco, com atrativos que agradam a todos os gostos e bolsos. Nós passamos um fim de semana lá e aproveitamos muito bem cada momento, desde a chegada até a hora de ir embora.
Rodeadouro Bonito Partiu Interior
Como chegar
A cidade é um destino bem fácil de chegar. Fica a apenas 132 km do Recife, o que dá pouco mais de 2 horas de viagem, pela BR-232 (até Bezerros) e pela PE-103 (Sairé e Camocim de São Félix). A estrada é boa e bem sinalizada. Chegando lá, é super fácil de transitar, mas vale a pena passar no Centro de Informações Turísticas, na entrada principal do município, e saber dos detalhes. Se preferir contratar um guia turístico, a diária custa R$100,00.
As cachoeiras
As cachoeiras de Bonito foram eleitas uma das 7 Maravilhas de Pernambuco. O acesso a elas é bem tranquilo, pela PE-103, e as entradas são sinalizadas. Quem curte fazer trilhas e quiser pegar a estrada de terra que liga as cachoeiras também dá, mas somente com um carro alto (e 4×4, dependendo da época do ano). Foi o que fizemos, usando o aplicativo Wikiloc (recomendo!).
Cachoeira Bonito PArtiu Interior
Na entrada de cada cachoeira é cobrada uma taxa de R$ 5, e há espaço reservados para estacionar, além de banheiros. Em algumas delas também há bar/restaurante, com opções de petisco e almoço – mas não provamos.
A primeira que visitamos foi a Véu de Noiva I, a mais conhecida e mais movimentada. Ela não é boa para banho, mas é para onde os apaixonados por esportes radicais vão para praticar tirolesa e rapel – tema do próximo tópico. Depois seguimos pela estrada de terra até a Barra Azul, que rende belas imagens, e em seguida fomos para a Cachoeira do Paraíso, que das três é a melhor para banho.
Rapel Cahoeira Bonito Partiu Interior
Esportes radicais
Bonito é o destino de muita gente que curte trekking (caminhada), ciclismo, moutain bike, trilhas off road, balonismo e, claro, a tirolesa e o rapel, disponíveis em alguns parques e na cachoeira Véu de Noiva I. Essas duas atividades abrem ao público nos finais de semana, a partir das 9h. A descida na tirolesa custa R$ 40 por pessoa, enquanto o rapel sai por R$ 35. Quem optar pelo pacote (Tirolesa+Rapel) ganha um desconto, paga apenas R$ 60.
A empresa nos recebeu muito bem e explicou detalhadamente como funcionam as práticas e os equipamentos. Nos sentimos bastante seguros, confiamos, e encaramos. No rapel, os visitantes descem os 32 metros da cachoeira acompanhados por instrutores. Já na tirolesa, são pouco mais de 30 segundos para percorrer os cerca de 320 metros de descida, a 70 metros de altura no ponto mais alto. Ah, e tudo é fotografado pela empresa e disponibilizado depois no Facebook. Resumindo: vale muito a pena!
Tirolesa Bonito 2 Partiu Interior
Tirolesa Bonito Partiu Interior
Teleférico
Inaugurado em maio deste ano, o teleférico de Bonito ainda é pouco conhecido (algumas pessoas ficaram surpresas com as fotos que postamos no dia do passeio), mas já é, sem dúvida alguma, um grande atrativo da cidade. Os quatro “carrinhos”, com capacidade para 4 pessoas, levam 12 minutos para completar o percurso de 1,2 km. Dois sobem, enquanto os outros dois descem, ou seja, vão 8 pessoas por vez.
teleférico Bonito Partiu Interior
Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada), e o horário de funcionamento é das 9h às 17h. No próximo post do blog falaremos mais detalhes sobre essa beleza que é o passeio de teleférico.

Teleférico 3 Bonito PArtiu InteriorTeleférico 2 Bonito Partiu Interior

Hospedagem
Existem diversas opções para camping, pousadas, hotéis e hotéis fazenda em Bonito, com preços bem variados. Ficamos hospedados em um hotel fazenda bastante conhecido, que dispõe de diversas atividades inclusas na diária, e oferece pensão completa (café-da-manhã, almoço, jantar e lanche).
Pedra Rodeadouro Bonito Partiu Interior
Além da bela vista, aproveitamos a trilha ecológica com cachoeira – em uma reserva dentro do hotel – piscina, jogos e stand up paddle. Também há outras atividades típicas em hotéis dessa modalidade, como leite no curral e passeio a cavalo, e mais outros não inclusos no pacote. As acomodações são simples, aconchegantes e confortáveis, ou seja, tudo o que você precisa para descansar depois de curtir tudo o que Bonito tem a oferecer.
Trilha Bonito Partiu Interior
stand up paddle bonito partiu interior
Próximos
Nos próximos posts do #PartiuInterior você vai ver mais detalhes sobre o teleférico de Bonito e outras opções de passeio na cidade.

Um passeio rápido em Taquaritinga do Norte-PE

A distância era grande e tempo era curto, mas conseguimos aproveitar muito bem a tarde do dia 30 de junho em Taquaritinga do Norte, cidade localizada no Agreste pernambucano, a 164 quilômetros da capital. Junto com a turma do Passeios Offroad Pernambuco, conhecemos a Rampa do Pepê, de onde se tem uma vista privilegiada de parte da região.

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Por alguns compromissos que quase me levaram a cancelar a viagem, só pudemos sair do Recife às 11h30. A viagem até Taquaritinga foi pela BR-232 (até Caruaru) e pela BR-104, e só não foi mais tranquila porque, pelo rádio, acompanhávamos o jogão entre França e Argentina, pelas oitavas de finais Copa do Mundo.

Encontramos o grupo na churrascaria Badabarreira (ou Bar da Barreira), onde a secretaria de Turismo de Taquaritinga recebeu a todos com faixa de boas-vindas e ofereceu uma feijoada. Aliás, merece destaque a parceria entre a secretaria e a diretoria do grupo de passeio, que organizaram uma programação muito boa para que aproveitássemos o máximo possível o pouco tempo na cidade. Infelizmente não pudemos ficar por lá até o outro dia, mas quem ficou pôde degustar café orgânico e curtir forró pé-de-serra.

Taquaritinga do Norte (2)

Rampa do Pepê
Do restaurante até o destino da programação da tarde, passamos rapidamente pelo centro de Taquaritinga do Norte, e deu para ver o quanto a cidade é limpa e organizada. A maior parte do caminho é calçada com pedras de granito, mas o trecho de terra estava bem complicado (pelo menos para mim, que não tenho experiência) e exigiu bastante atenção.

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No entanto, você esquece tudo isso quando você chega na rampa. Que vista! A estrutura antiga do “Bar e Lanchonete” e a arquibancada indicam que ali já foram realizados grandes eventos de voo livre – assim como os que aconteciam em Vicência nos anos 1990.

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Depois da rampa, uma parada para apreciar o pôr do sol e conversar com os colegas para, em seguida, conhecer a praça principal da cidade. Foi á que compramos café ecológico, feito lá mesmo em Taguaritinga. O café é tão cheiroso que só de sentir o aroma você lembra da cidade e tem vontade de voltar lá para conhecer melhor.

Sete coisas que não nos contaram sobre Paixão de Cristo de Nova Jerusalém

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Imagina a felicidade que deve ser transformar uma pequena vila no interior de Pernambuco em um dos principais destinos de milhares de visitantes e turistas – religiosos ou não – durante a Semana Santa? Comecei a me perguntar isso enquanto admirava a grandiosidade do teatro de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus, a 180 km do Recife. Do lado de fora, pouco antes de entrar para o espetáculo, observei os diversos ônibus, carros, feirinha, arena gastronômica, ambulantes e comecei a entender a ideia genial de Plínio Pacheco.

Viajamos na quinta-feira (28), dia chuvoso e de muito movimento nas estradas – todos querendo sair do Recife para curtir o feriado. Apesar de ser um destino bastante conhecido e frequentado pelos pernambucanos, foi nossa primeira vez no espetáculo, então, o que falar de uma peça sobre a conhecida história de Jesus Cristo que já vai em sua 51ª edição e já foi vista por mais de 3,5 milhões de expectadores?

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Bem, primeiro é preciso dizer que vale muito a pena. Tudo é feito com muito cuidado e atenção para que o público mergulhe no enredo sem distrações. Também há alguns detalhes – positivos e negativos – que vamos elencar a seguir e que podem ajudar você a planejar uma viagem para lá nos próximos anos. Vamos começar:

1 – Não, a viagem não é cara. 
Essa era uma ideia que eu tinha. Sempre me perguntei se valia a pena pagar “tanto” para ver a encenação de uma história que eu já conheço e que sempre é exibida na televisão. Sim, vale a pena. Em 2018, os ingressos variavam entre R$ 100 e R$ 140 (inteira) e R$ 50 a R$ 70 (meia entrada), um preço que acho justo, considerando que são mais de três horas de espetáculo, com 450 atores e figurantes, além de outros 600 profissionais envolvidos (técnicos, maquiadores, sonoplastas, eletricistas, entre outros), todos distribuídos em 9 palcos e dentro de um teatro com 100 mil metros quadrados.

Para chegar lá, existem várias opções de excursões, com preços bem variados. No Recife, encontramos a partir de R$ 80 por pessoa (certamente tem mais barato) e viajamos pela Sevagtur, a R$90. Tudo muito organizado e tranquilo. No final das contas, gastamos R$ 300 (ingresso e transporte para o casal), fora alimentação por lá e capinha de chuva.

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2 – Pode chover bastante. Mas tem capinha de chuva pra vender.
O dia em que fomos foi bastante chuvoso, e até levamos uma sombrinha para se proteger da chuva, mas usá-la durante o espetáculo não é uma opção (apesar de muitas pessoas abrirem e atrapalharem a vista de quem está atrás). A solução: capinhas de chuva. Os ambulantes vendem já no estacionamento ao preço de R$ 5.

20180329_1915593 – Vá de calça e sapato para chuva.
Se a previsão for de chuva, nem se preocupe com que roupa você vai, porque ela vai ficar por baixo da capa de plástico, mas vale a pena ir de calça para evitar insetos e lama. Também é interessante usar um sapato apropriado e que aguente chuva. Nada de sandalinha, salto alto ou chinelo de dedo, pois a maior parte da caminhada que você precisará fazer diante dos palcos é no barro, sem calçamento, e lembre-se que você vai andar no meio de uma multidão, ou seja, apesar de isso ser bem sossegado por lá, pode ser que pisem no seu pé…IMG_20180329_173538

4- Procure o canto esquerdo dos palcos.
Esta dica nos foi dada pelo guia, a caminho de Nova Jerusalém, e quando começa o espetáculo você entende que faz todo sentido: procure sempre o canto esquerdo dos palcos. Fica mais fácil se locomover entre as cenas e se acomodar com tranquilidade. Somente na cena da crucificação é recomendável ir pela direita (e não pelas arquibancadas), assim você chegará mais perto do palco. Uma curiosidade, que talvez pouca gente perceba, é que a estátua do Plínio Pacheco montado no cavalo é móvel, ela aponta a direção para onde as pessoas devem se deslocar.  

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5 – Existe uma atenção especial com idosos e deficientes
Assim que você entrar no teatro, vai perceber uma equipe de pelo menos vinte pessoas prontas para atender e acompanhar os expectadores que tenham dificuldade de locomoção e precisem de cadeiras de rodas. Existe um espaço amplo destinado para esse público, bem em frente de cada palco, e são os profissionais do teatro que conduzem as cadeiras de rodas.

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6 – Infelizmente, há poucos banheiros.
Como dificilmente as pessoas vão procurar o banheiro durante as três horas de espetáculo, nada mais comum do que ir antes ou depois. O problema é que são poucos banheiros para muita gente, então, quando termina a peça as pessoas já estão apertadas e precisarão encarar filas. É tenso.

7 – Feirinha poderia ser melhor.
Esperava encontrar uma feirinha de artesanato bem diversificada, com produtos locais e bem diferentes do que a gente encontra em outros locais, mas salvo as lembrancinhas relacionadas à Paixão de Cristo, não há muita opção. Encontramos vários estandes com relógios e acessórios brilhantes fabricados na China, mas de artesanato mesmo, é pouco.

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Em resumo, foi uma viagem bem tranquila e divertida. Fomos e voltamos com segurança, sem preocupação alguma com carro, com estacionamento, com ingressos, com sono na estrada… Essas são algumas das vantagens de se viajar em excursões. Voltaríamos lá outras vezes para levar nossos pais, por exemplo. Isso é sinal de que vale a pena!

 

 

Carnaval em Nazaré da Mata

Olhando as pastas de fotos antigas no computador, me dei conta de que, desde 2012, ir para Nazaré da Mata na segunda-feira de Carnaval tem feito parte da  nossa programação. Não é para menos, para quem gosta de Maracatu Rural (também chamado de baque solto) esse é o melhor dia para visitar a tão querida cidadezinha da Zona da Mata, localizada a cerca de 60 quilômetros do Recife.

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Conhecedor dos carnavais nazarenos desde a infância, posso garantir que a festa tem melhorado nos últimos anos. É sempre bom encontrar o povo na rua para ver os maracatus que passam o ano todo se preparando para mostrar o colorido e a poesia que encantam a tantos turistas. Não preciso nem dizer que as apresentações dos diversos grupos rendem ótimas fotografias, mas uma dica que eu deixo é que você dê uma caminhada pela rua em que os integrantes aguardam o chamado para o palco.

Outra coisa importante é respeitar o espaço dos maracatus durante as apresentações. Canso de ver turistas e fotógrafos ultrapassarem a linha do bom senso em busca das “melhores imagens”. Tudo bem aproximar-se, procurar um ângulo mais legal e rapidamente voltar para a calçada, mas entrar no meio do grupo a ponto de roubar a atenção e até atrapalhar a evolução dos caboclos de lança é bem desagradável.

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PRAÇA DO FREVO
Além das apresentações de maracatu na praça principal, outra opção muito legal é a Praça do Frevo (para os nazarenos, a nossa antiga Praça do Lago). Fica ali pertinho, na rua atrás do palco principal. Lá, além de muitos frevos tocados por orquestras, há toldos para o pessoal aproveitar a sombra ou levar cadeiras, bebidas, comidinhas e fazer seu piquenique de Carnaval.

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FALTA ESTRUTURA
Sempre que vou a Nazaré durante o Carnaval, tento levar alguém para conhecer a festa. Uma reclamação que sempre escuto é a falta de sombras na área em que os maracatus se apresentam, o sol é forte e o calor afasta o público. Falta também um ponto de informação para os turistas que chegam lá desacompanhados.

Outro detalhe é a falta de opções para lanches e refeições perto do centro. Basicamente, se você não estiver afim de consumir comida de rua (cachorro quente, batata frita, pipoca, coxinha e pastel) você poderá ter que procurar matar a fome longe dali. Também incomodou um pouco (neste Carnaval, especificamente) a falta de atenção com a limpeza. Na segunda-feira à tarde havia bastante lixo nos arredores da praça e, depois da forte chuva que caiu, tudo se espalhou pelas ruas.

São apenas detalhes, mas que podem ser facilmente corrigidos. A festa é linda, e vale muito a pena sentir aquela energia única do maracatu rural. E essa energia você só encontra em Nazaré da Mata.

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Passeio off road pela Mata Norte de Pernambuco: Rota dos Engenhos II

Estradas estreitas, subidas, descidas, buracos, sulcos e poeira, muita poeira. Em dezembro de 2017 fizemos nosso primeiro passeio off road pela Zona da Mata Norte pernambucana, em grupo, com o Passeios Offroad Pernambuco. Uma experiência muito legal que nos levou a revisitar – com um ovo olhar – alguns destinos já conhecidos e nos apresentou belas paisagens.

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Nazaré da Mata e Buenos Aires
Partimos de um posto de combustível na BR-408, em São Lourenço, pouco depois das 7h30 do sábado. A primeira parada foi no Engenho Santa Fé, em Nazaré da Mata, mas logo seguimos para o Engenho Crimeia, em Buenos Aires. Fomos muito bem recebidos pelo proprietário, que nos apresentou a capela e a casa grande, muito bem cuidadas, e ofereceu um lanche bem característico: tareco e mariola! Visitamos ainda o belíssimo baobá centenário da propriedade e deu para dar uma descansada rápida sob as sombras das árvores frutíferas.  Valeu muito a visita!

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Vicência
Pelas estradas de terra, seguimos para o Engenho Água Doce, em Vicência, destino que já visitamos algumas vezes (clique aqui para ver o post sobre o Água Doce), mas que sempre nos deixa satisfeitos e com vontade de voltar. Depois revisitamos a casa grande e a capela do Engenho Jundiá (clique aqui para ver o post sobre o Jundiá), só que desta vez o passeio incluiu a subida da serra e, lá no alto, na capelinha de Nossa Senhora da Conceição, reencontramos a bela vista dos engenhos, de Vicência e da região.

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Serra do Pirauá
De Vicência até Pirauá, distrito do município de Macaparana, o caminho é longo. O asfalto é razoável e alguns trechos exigem atenção, mas a viagem se torna muito mais interessante quando é em grupo, orientada pelos mais experientes. Localizado na divisa entre Pernambuco e Paraíba, Pirauá, distrito de Macaparana, foi uma grata surpresa, com suas belas paisagens.

Visitamos a Pedra do Bico, onde acompanhamos o pôr-do-sol. O caminho exige atenção, e a subida a pé, exige um pouco mais de resistência, mas a vista lá do alto compensa, e muito.

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A hospedagem é na Pousada Serra do Pirauá, muito organizada e bem estruturada, pronta para receber boa quantidade de turistas. Há também boas opções para refeição (Restaurante Serra do Pirauá) e para quem quer comprar queijos artesanais.

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As artes da Ilha do Marajó (Parte III)

Os sons e as artes do Norte foram alguns dos principais atrativos que nos levaram ao Pará. Agora imagina poder apreciar de perto o legítimo artesanato marajoara e poder curtir o autêntico carimbó! Isso você vai encontrar na cidade de Soure, e é o que faz da chamada Capital do Marajó um lugar imperdível para quem gosta de cultura popular.

Conhecer um pouco do dia a dia dos artesãos do Marajó e poder acompanhar um ensaio de um grupo tradicional de carimbó foi um privilégio, e nos deixou bastante felizes, porque encontramos, nestes dois locais, jovens que vivenciam as artes e que se orgulham de suas raízes e das tradições locais.

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Você já viu ou vai ver muitas peças ditas marajoaras Brasil a fora, mas o autêntico artesanato do Marajó você só encontra lá. Basta olhar para uma peça e você perceberá isso.

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Um lugar que não pode faltar no seu roteiro é a Casa de Artesanato Arte Mangue Marajó (Travessa 23, entre as ruas 12 e 13). No espaço, coordenado pelo Ronaldo Guedes, funciona um coletivo de 9 artesãos e artesãs, e lá você encontra diversas peças de cerâmica e madeira, tudo lindo e muito bem feito. Conversamos bastante com a Cilene, que nos explicou as origens, as referências, todo o processo de produção. Também falamos sobre música, carimbó, cultura popular, mídia alternativa…

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A gente não teve a sorte de encontrar muitas peças a venda, porque os artesãos precisam esperar algumas semanas para colocar todas as peças no forno de uma vez, e as prateleiras estavam um pouco vazias, mas conseguimos trazer peças muito legais. Então, se você chegar logo depois da fornada, aproveite!

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CARIMBÓ NO CRUZEIRINHO

Na tarde do nosso primeiro dia em Soure, pegamos as bicicletas e fomos passear pela cidade. Ficamos surpresos ao encontrarmos, na praça principal, um grupo de adolescentes ensaiando o Lundu Marajoara. Lembro que comentamos o quanto isso era rico e como era legal ver os jovens valorizando a cultura local. Eis que, na segunda-feira à noite, também por indicação do pessoal da pousada, tivemos uma surpresa ainda maior: o Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho.

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O Cruzeirinho, como costuma ser chamado, existe desde 1987 e é coordenado pela senhora Maria Amélia. Toda segunda-feira, a partir das 19h, o grupo se reúne para os ensaios, que são abertos aos turistas (taxa de colaboração: R$ 20). Carimbó, Lundu Marajoara, Chula Marajoara, e tantas outras manifestações, dá ver um pouco de tudo da cultura local nos passos e nas vozes dos integrantes.

Dentro do casarão, é impossível não se deixar levar pela música, pela dança e pelos sorrisos do pessoal. Foi uma noite de aprendizado e muito divertida, a ponto de sentirmos muito à vontade para arriscar uns passos de Carimbó junto com os dançarinos e dançarinas.

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Quando lembrarmos da Ilha de Marajó, vamos recordar sempre, com saudades, do Cruzeirinho e da felicidade que sentimos por estar lá.

Ilha do Marajó: as praias, as fazendas e o Rio Paracauari (parte II)

Na Ilha do Marajó, as horas parecem passar mais devagar e os dias são mais longos. Sobra tempo para aproveitar as belezas naturais da ilha, como os furos do rio Paracaurari, as praias e as famosas fazendas de criação de búfalos.

DSC_0481editLugar de clima quente e úmido (muito úmido) a Ilha do Marajó faz um calor que chega a ser estranho até para os recifenses, acostumados com “o abafado”. Então, não esqueça de se hidratar durante os passeios e curta bastante, porque é um lugar simples e único.

 

 

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PRAIAS

Tiramos uma manhã e parte da tarde para aproveitar a praia da Barra Velha, que fica a cerca de 5 km do centro da cidade. Os mais dispostos podem fazer o percurso de bicicleta, os demais podem ir de táxi (R$ 70, ida e volta) ou moto-táxi (R$ 20, ida e volta), basta pedir o transporte ao pessoal da pousada e, no carro ou moto, já deixar agendado o horário da volta. Optamos por ir de moto-táxi, que depois nos levou para conhecer uma das principais cerâmicas de Soure por R$ 5 a mais.

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A praia de rio tem uma cor amarronzada, bem diferente do que estamos acostumados no Nordeste, mas é bem limpa e o banho é muito bom. Na maré baixa, é preciso ficar atento às arraias, na maré alta, muito cuidado com as correntes. Quem nos passou todas as dicas e os cuidados para aproveitar a praia foi seu Jorge, dono da barraca Salve Jorge. Vale a pena ficar por lá provando os petiscos e depois almoçar um peixe frito.

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Ah, um detalhe importante: fomos alertados na pousada de que é preciso ficar atento na chegada à praia, na área do mangue, pois há relatos de assaltos a turistas em dias e horários de pouco movimento.

A Praia do Pesqueiro tem mais opções de bares e é mais movimentada, mas infelizmente não tivemos tempo de conhecê-la.

FAZENDAS

Um dos atrativos mais conhecidos e mais vendidos da ilha, que inclusive nos influenciou bastante a procurar esse destino, são os passeios pelas fazendas. Não sei se devido à época do ano ou se esperávamos demais, mas o passeio que fizemos foi um pouco decepcionante.

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Nas duas principais fazendas você pode montar no búfalo, fazer caminhadas pelas propriedades e conhecer a fauna e a flora da ilha. No que fizemos, o “passeio” no búfalo é bastante rápido e curto, e a caminhada, de tão longa, ficou repetitiva e extremamente cansativa. Foram 4 km sob o sol e com poucas passagens pela vegetação nativa, tempo e distância suficientes para pensarmos, por exemplo, na domesticação dos búfalos e no uso dos animais para montaria. Vale a pena?

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Em época de chuva, parte da fazenda fica alagada e um trecho do roteiro é feito em canoas, o que deve ser muito legal. Outros pontos positivos são os lanches de comidas típicas, que são deliciosas, e as belas paisagens que você pode fotografar, com guarás, colhereiras e garças, além de – claro – os búfalos.

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PASSEIO DE BARCO PELO RIO PARACAUARI

Soubemos deste passeio através do pessoal da Pousada Canto do Francês, onde ficamos hospedados. Para quem quer conhecer melhor a relação dos marajoaras com o rio Paracauari, essa é uma ótima opção. O passeio custa R$ 90 por pessoa, mas se você conseguir juntar um grupo maior com pessoas legais (foi o nosso caso) , rola um bom desconto.

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Durante o passeio você vai ver um pouco do dia-a-dia às margens do rio: o transporte entre Soure e Salvaterra, os guris brincando, tomando banho ou treinando os cavalos na água para a grande Corrida de Marajó (que percorre boa parte das fazendas), o transporte de mercadorias e a pesca.

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A primeira parada é no cortume, onde são vendidas sandálias, bolsas, carteiras e outros produtos de couro de búfalo. Depois o barco segue para os furos e, na volta, começa a parte da aventura: mergulhar no rio com colete e boia e ser puxado pelo barco através de uma corda! Dica: segure bem na boia, sobretudo na hora de voltar para o barco.

É uma boa opção para quem quer compreender melhor o povo e o lugar. Rende boas fotos e boas histórias.

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CONFIRA AQUI : Cinco dias inesquecíveis na Ilha do Marajó (Parte I)