Sete coisas que não nos contaram sobre Paixão de Cristo de Nova Jerusalém

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Imagina a felicidade que deve ser transformar uma pequena vila no interior de Pernambuco em um dos principais destinos de milhares de visitantes e turistas – religiosos ou não – durante a Semana Santa? Comecei a me perguntar isso enquanto admirava a grandiosidade do teatro de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus, a 180 km do Recife. Do lado de fora, pouco antes de entrar para o espetáculo, observei os diversos ônibus, carros, feirinha, arena gastronômica, ambulantes e comecei a entender a ideia genial de Plínio Pacheco.

Viajamos na quinta-feira (28), dia chuvoso e de muito movimento nas estradas – todos querendo sair do Recife para curtir o feriado. Apesar de ser um destino bastante conhecido e frequentado pelos pernambucanos, foi nossa primeira vez no espetáculo, então, o que falar de uma peça sobre a conhecida história de Jesus Cristo que já vai em sua 51ª edição e já foi vista por mais de 3,5 milhões de expectadores?

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Bem, primeiro é preciso dizer que vale muito a pena. Tudo é feito com muito cuidado e atenção para que o público mergulhe no enredo sem distrações. Também há alguns detalhes – positivos e negativos – que vamos elencar a seguir e que podem ajudar você a planejar uma viagem para lá nos próximos anos. Vamos começar:

1 – Não, a viagem não é cara. 
Essa era uma ideia que eu tinha. Sempre me perguntei se valia a pena pagar “tanto” para ver a encenação de uma história que eu já conheço e que sempre é exibida na televisão. Sim, vale a pena. Em 2018, os ingressos variavam entre R$ 100 e R$ 140 (inteira) e R$ 50 a R$ 70 (meia entrada), um preço que acho justo, considerando que são mais de três horas de espetáculo, com 450 atores e figurantes, além de outros 600 profissionais envolvidos (técnicos, maquiadores, sonoplastas, eletricistas, entre outros), todos distribuídos em 9 palcos e dentro de um teatro com 100 mil metros quadrados.

Para chegar lá, existem várias opções de excursões, com preços bem variados. No Recife, encontramos a partir de R$ 80 por pessoa (certamente tem mais barato) e viajamos pela Sevagtur, a R$90. Tudo muito organizado e tranquilo. No final das contas, gastamos R$ 300 (ingresso e transporte para o casal), fora alimentação por lá e capinha de chuva.

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2 – Pode chover bastante. Mas tem capinha de chuva pra vender.
O dia em que fomos foi bastante chuvoso, e até levamos uma sombrinha para se proteger da chuva, mas usá-la durante o espetáculo não é uma opção (apesar de muitas pessoas abrirem e atrapalharem a vista de quem está atrás). A solução: capinhas de chuva. Os ambulantes vendem já no estacionamento ao preço de R$ 5.

20180329_1915593 – Vá de calça e sapato para chuva.
Se a previsão for de chuva, nem se preocupe com que roupa você vai, porque ela vai ficar por baixo da capa de plástico, mas vale a pena ir de calça para evitar insetos e lama. Também é interessante usar um sapato apropriado e que aguente chuva. Nada de sandalinha, salto alto ou chinelo de dedo, pois a maior parte da caminhada que você precisará fazer diante dos palcos é no barro, sem calçamento, e lembre-se que você vai andar no meio de uma multidão, ou seja, apesar de isso ser bem sossegado por lá, pode ser que pisem no seu pé…IMG_20180329_173538

4- Procure o canto esquerdo dos palcos.
Esta dica nos foi dada pelo guia, a caminho de Nova Jerusalém, e quando começa o espetáculo você entende que faz todo sentido: procure sempre o canto esquerdo dos palcos. Fica mais fácil se locomover entre as cenas e se acomodar com tranquilidade. Somente na cena da crucificação é recomendável ir pela direita (e não pelas arquibancadas), assim você chegará mais perto do palco. Uma curiosidade, que talvez pouca gente perceba, é que a estátua do Plínio Pacheco montado no cavalo é móvel, ela aponta a direção para onde as pessoas devem se deslocar.  

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5 – Existe uma atenção especial com idosos e deficientes
Assim que você entrar no teatro, vai perceber uma equipe de pelo menos vinte pessoas prontas para atender e acompanhar os expectadores que tenham dificuldade de locomoção e precisem de cadeiras de rodas. Existe um espaço amplo destinado para esse público, bem em frente de cada palco, e são os profissionais do teatro que conduzem as cadeiras de rodas.

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6 – Infelizmente, há poucos banheiros.
Como dificilmente as pessoas vão procurar o banheiro durante as três horas de espetáculo, nada mais comum do que ir antes ou depois. O problema é que são poucos banheiros para muita gente, então, quando termina a peça as pessoas já estão apertadas e precisarão encarar filas. É tenso.

7 – Feirinha poderia ser melhor.
Esperava encontrar uma feirinha de artesanato bem diversificada, com produtos locais e bem diferentes do que a gente encontra em outros locais, mas salvo as lembrancinhas relacionadas à Paixão de Cristo, não há muita opção. Encontramos vários estandes com relógios e acessórios brilhantes fabricados na China, mas de artesanato mesmo, é pouco.

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Em resumo, foi uma viagem bem tranquila e divertida. Fomos e voltamos com segurança, sem preocupação alguma com carro, com estacionamento, com ingressos, com sono na estrada… Essas são algumas das vantagens de se viajar em excursões. Voltaríamos lá outras vezes para levar nossos pais, por exemplo. Isso é sinal de que vale a pena!

 

 

Carnaval em Nazaré da Mata

Olhando as pastas de fotos antigas no computador, me dei conta de que, desde 2012, ir para Nazaré da Mata na segunda-feira de Carnaval tem feito parte da  nossa programação. Não é para menos, para quem gosta de Maracatu Rural (também chamado de baque solto) esse é o melhor dia para visitar a tão querida cidadezinha da Zona da Mata, localizada a cerca de 60 quilômetros do Recife.

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Conhecedor dos carnavais nazarenos desde a infância, posso garantir que a festa tem melhorado nos últimos anos. É sempre bom encontrar o povo na rua para ver os maracatus que passam o ano todo se preparando para mostrar o colorido e a poesia que encantam a tantos turistas. Não preciso nem dizer que as apresentações dos diversos grupos rendem ótimas fotografias, mas uma dica que eu deixo é que você dê uma caminhada pela rua em que os integrantes aguardam o chamado para o palco.

Outra coisa importante é respeitar o espaço dos maracatus durante as apresentações. Canso de ver turistas e fotógrafos ultrapassarem a linha do bom senso em busca das “melhores imagens”. Tudo bem aproximar-se, procurar um ângulo mais legal e rapidamente voltar para a calçada, mas entrar no meio do grupo a ponto de roubar a atenção e até atrapalhar a evolução dos caboclos de lança é bem desagradável.

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PRAÇA DO FREVO
Além das apresentações de maracatu na praça principal, outra opção muito legal é a Praça do Frevo (para os nazarenos, a nossa antiga Praça do Lago). Fica ali pertinho, na rua atrás do palco principal. Lá, além de muitos frevos tocados por orquestras, há toldos para o pessoal aproveitar a sombra ou levar cadeiras, bebidas, comidinhas e fazer seu piquenique de Carnaval.

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FALTA ESTRUTURA
Sempre que vou a Nazaré durante o Carnaval, tento levar alguém para conhecer a festa. Uma reclamação que sempre escuto é a falta de sombras na área em que os maracatus se apresentam, o sol é forte e o calor afasta o público. Falta também um ponto de informação para os turistas que chegam lá desacompanhados.

Outro detalhe é a falta de opções para lanches e refeições perto do centro. Basicamente, se você não estiver afim de consumir comida de rua (cachorro quente, batata frita, pipoca, coxinha e pastel) você poderá ter que procurar matar a fome longe dali. Também incomodou um pouco (neste Carnaval, especificamente) a falta de atenção com a limpeza. Na segunda-feira à tarde havia bastante lixo nos arredores da praça e, depois da forte chuva que caiu, tudo se espalhou pelas ruas.

São apenas detalhes, mas que podem ser facilmente corrigidos. A festa é linda, e vale muito a pena sentir aquela energia única do maracatu rural. E essa energia você só encontra em Nazaré da Mata.

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Passeio off road pela Mata Norte de Pernambuco: Rota dos Engenhos II

Estradas estreitas, subidas, descidas, buracos, sulcos e poeira, muita poeira. Em dezembro de 2017 fizemos nosso primeiro passeio off road pela Zona da Mata Norte pernambucana, em grupo, com o Passeios Offroad Pernambuco. Uma experiência muito legal que nos levou a revisitar – com um ovo olhar – alguns destinos já conhecidos e nos apresentou belas paisagens.

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Nazaré da Mata e Buenos Aires
Partimos de um posto de combustível na BR-408, em São Lourenço, pouco depois das 7h30 do sábado. A primeira parada foi no Engenho Santa Fé, em Nazaré da Mata, mas logo seguimos para o Engenho Crimeia, em Buenos Aires. Fomos muito bem recebidos pelo proprietário, que nos apresentou a capela e a casa grande, muito bem cuidadas, e ofereceu um lanche bem característico: tareco e mariola! Visitamos ainda o belíssimo baobá centenário da propriedade e deu para dar uma descansada rápida sob as sombras das árvores frutíferas.  Valeu muito a visita!

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Vicência
Pelas estradas de terra, seguimos para o Engenho Água Doce, em Vicência, destino que já visitamos algumas vezes (clique aqui para ver o post sobre o Água Doce), mas que sempre nos deixa satisfeitos e com vontade de voltar. Depois revisitamos a casa grande e a capela do Engenho Jundiá (clique aqui para ver o post sobre o Jundiá), só que desta vez o passeio incluiu a subida da serra e, lá no alto, na capelinha de Nossa Senhora da Conceição, reencontramos a bela vista dos engenhos, de Vicência e da região.

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Serra do Pirauá
De Vicência até Pirauá, distrito do município de Macaparana, o caminho é longo. O asfalto é razoável e alguns trechos exigem atenção, mas a viagem se torna muito mais interessante quando é em grupo, orientada pelos mais experientes. Localizado na divisa entre Pernambuco e Paraíba, Pirauá, distrito de Macaparana, foi uma grata surpresa, com suas belas paisagens.

Visitamos a Pedra do Bico, onde acompanhamos o pôr-do-sol. O caminho exige atenção, e a subida a pé, exige um pouco mais de resistência, mas a vista lá do alto compensa, e muito.

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A hospedagem é na Pousada Serra do Pirauá, muito organizada e bem estruturada, pronta para receber boa quantidade de turistas. Há também boas opções para refeição (Restaurante Serra do Pirauá) e para quem quer comprar queijos artesanais.

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As artes da Ilha do Marajó (Parte III)

Os sons e as artes do Norte foram alguns dos principais atrativos que nos levaram ao Pará. Agora imagina poder apreciar de perto o legítimo artesanato marajoara e poder curtir o autêntico carimbó! Isso você vai encontrar na cidade de Soure, e é o que faz da chamada Capital do Marajó um lugar imperdível para quem gosta de cultura popular.

Conhecer um pouco do dia a dia dos artesãos do Marajó e poder acompanhar um ensaio de um grupo tradicional de carimbó foi um privilégio, e nos deixou bastante felizes, porque encontramos, nestes dois locais, jovens que vivenciam as artes e que se orgulham de suas raízes e das tradições locais.

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Você já viu ou vai ver muitas peças ditas marajoaras Brasil a fora, mas o autêntico artesanato do Marajó você só encontra lá. Basta olhar para uma peça e você perceberá isso.

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Um lugar que não pode faltar no seu roteiro é a Casa de Artesanato Arte Mangue Marajó (Travessa 23, entre as ruas 12 e 13). No espaço, coordenado pelo Ronaldo Guedes, funciona um coletivo de 9 artesãos e artesãs, e lá você encontra diversas peças de cerâmica e madeira, tudo lindo e muito bem feito. Conversamos bastante com a Cilene, que nos explicou as origens, as referências, todo o processo de produção. Também falamos sobre música, carimbó, cultura popular, mídia alternativa…

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A gente não teve a sorte de encontrar muitas peças a venda, porque os artesãos precisam esperar algumas semanas para colocar todas as peças no forno de uma vez, e as prateleiras estavam um pouco vazias, mas conseguimos trazer peças muito legais. Então, se você chegar logo depois da fornada, aproveite!

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CARIMBÓ NO CRUZEIRINHO

Na tarde do nosso primeiro dia em Soure, pegamos as bicicletas e fomos passear pela cidade. Ficamos surpresos ao encontrarmos, na praça principal, um grupo de adolescentes ensaiando o Lundu Marajoara. Lembro que comentamos o quanto isso era rico e como era legal ver os jovens valorizando a cultura local. Eis que, na segunda-feira à noite, também por indicação do pessoal da pousada, tivemos uma surpresa ainda maior: o Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho.

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O Cruzeirinho, como costuma ser chamado, existe desde 1987 e é coordenado pela senhora Maria Amélia. Toda segunda-feira, a partir das 19h, o grupo se reúne para os ensaios, que são abertos aos turistas (taxa de colaboração: R$ 20). Carimbó, Lundu Marajoara, Chula Marajoara, e tantas outras manifestações, dá ver um pouco de tudo da cultura local nos passos e nas vozes dos integrantes.

Dentro do casarão, é impossível não se deixar levar pela música, pela dança e pelos sorrisos do pessoal. Foi uma noite de aprendizado e muito divertida, a ponto de sentirmos muito à vontade para arriscar uns passos de Carimbó junto com os dançarinos e dançarinas.

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Quando lembrarmos da Ilha de Marajó, vamos recordar sempre, com saudades, do Cruzeirinho e da felicidade que sentimos por estar lá.

Ilha do Marajó: as praias, as fazendas e o Rio Paracauari (parte II)

Na Ilha do Marajó, as horas parecem passar mais devagar e os dias são mais longos. Sobra tempo para aproveitar as belezas naturais da ilha, como os furos do rio Paracaurari, as praias e as famosas fazendas de criação de búfalos.

DSC_0481editLugar de clima quente e úmido (muito úmido) a Ilha do Marajó faz um calor que chega a ser estranho até para os recifenses, acostumados com “o abafado”. Então, não esqueça de se hidratar durante os passeios e curta bastante, porque é um lugar simples e único.

 

 

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PRAIAS

Tiramos uma manhã e parte da tarde para aproveitar a praia da Barra Velha, que fica a cerca de 5 km do centro da cidade. Os mais dispostos podem fazer o percurso de bicicleta, os demais podem ir de táxi (R$ 70, ida e volta) ou moto-táxi (R$ 20, ida e volta), basta pedir o transporte ao pessoal da pousada e, no carro ou moto, já deixar agendado o horário da volta. Optamos por ir de moto-táxi, que depois nos levou para conhecer uma das principais cerâmicas de Soure por R$ 5 a mais.

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A praia de rio tem uma cor amarronzada, bem diferente do que estamos acostumados no Nordeste, mas é bem limpa e o banho é muito bom. Na maré baixa, é preciso ficar atento às arraias, na maré alta, muito cuidado com as correntes. Quem nos passou todas as dicas e os cuidados para aproveitar a praia foi seu Jorge, dono da barraca Salve Jorge. Vale a pena ficar por lá provando os petiscos e depois almoçar um peixe frito.

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Ah, um detalhe importante: fomos alertados na pousada de que é preciso ficar atento na chegada à praia, na área do mangue, pois há relatos de assaltos a turistas em dias e horários de pouco movimento.

A Praia do Pesqueiro tem mais opções de bares e é mais movimentada, mas infelizmente não tivemos tempo de conhecê-la.

FAZENDAS

Um dos atrativos mais conhecidos e mais vendidos da ilha, que inclusive nos influenciou bastante a procurar esse destino, são os passeios pelas fazendas. Não sei se devido à época do ano ou se esperávamos demais, mas o passeio que fizemos foi um pouco decepcionante.

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Nas duas principais fazendas você pode montar no búfalo, fazer caminhadas pelas propriedades e conhecer a fauna e a flora da ilha. No que fizemos, o “passeio” no búfalo é bastante rápido e curto, e a caminhada, de tão longa, ficou repetitiva e extremamente cansativa. Foram 4 km sob o sol e com poucas passagens pela vegetação nativa, tempo e distância suficientes para pensarmos, por exemplo, na domesticação dos búfalos e no uso dos animais para montaria. Vale a pena?

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Em época de chuva, parte da fazenda fica alagada e um trecho do roteiro é feito em canoas, o que deve ser muito legal. Outros pontos positivos são os lanches de comidas típicas, que são deliciosas, e as belas paisagens que você pode fotografar, com guarás, colhereiras e garças, além de – claro – os búfalos.

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PASSEIO DE BARCO PELO RIO PARACAUARI

Soubemos deste passeio através do pessoal da Pousada Canto do Francês, onde ficamos hospedados. Para quem quer conhecer melhor a relação dos marajoaras com o rio Paracauari, essa é uma ótima opção. O passeio custa R$ 90 por pessoa, mas se você conseguir juntar um grupo maior com pessoas legais (foi o nosso caso) , rola um bom desconto.

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Durante o passeio você vai ver um pouco do dia-a-dia às margens do rio: o transporte entre Soure e Salvaterra, os guris brincando, tomando banho ou treinando os cavalos na água para a grande Corrida de Marajó (que percorre boa parte das fazendas), o transporte de mercadorias e a pesca.

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A primeira parada é no cortume, onde são vendidas sandálias, bolsas, carteiras e outros produtos de couro de búfalo. Depois o barco segue para os furos e, na volta, começa a parte da aventura: mergulhar no rio com colete e boia e ser puxado pelo barco através de uma corda! Dica: segure bem na boia, sobretudo na hora de voltar para o barco.

É uma boa opção para quem quer compreender melhor o povo e o lugar. Rende boas fotos e boas histórias.

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CONFIRA AQUI : Cinco dias inesquecíveis na Ilha do Marajó (Parte I)

Cinco dias inesquecíveis na Ilha de Marajó – PA (parte I)

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A dança, a música e o artesanato da Ilha de Marajó. As artes e os sabores da Ilha de Marajó. Uma viagem pela cultura marajoara. Ilha de Marajó: é como voltar no tempo. Difícil de chegar, difícil de esquecer. Qualquer um desses títulos representaria bem o que foram os cinco dias em Soure, na Ilha do Marajó. Mas, neste primeiro texto de uma série de três, decidimos resumir um pouco de tudo em um só adjetivo: inesquecível.

Visitar a Ilha de Marajó é visitar um Brasil distante, que ficou guardado no tempo e, por isso mesmo, especial. Esqueça a ideia de ilha paradisíaca, com praias de águas mornas e cristalinas, dias de agitação e noites badaladas. Lá o que encanta e atrai são a simplicidade e a certeza de que você está em um lugar único. O lugar do carimbó, do lundu, dos búfalos que pastam pelas ruas de terra, da carne de búfalo e do queijo de marajó.

COMO CHEGAR

Você chega em Soure de navio ou de lancha rápida. O transporte de passageiros é feito diariamente, com embarque no terminal do galpão 9 da Estação das Docas, em Belém. As passagens custam entre R$ 35 (para o terminal de Salvaterra) e R$ 48 (direto para Soure). A lancha rápida sai a partir das 7h e a viagem dura cerca de 1h30, já de navio, a viagem é bem mais longa: 3h30.

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O percurso pela Baía do Marajó é de aproximadamente 80 km de muitas, muitas ondas. Assim, quem tiver problema com enjoo, não esqueça de tomar alguma medicação 30 minutos antes da viagem e evite se alimentar neste período. Entre os meses de setembro e novembro, os ventos são fortes e “a maré joga demais”, como dizem os moradores, que recomendam viajar pela manhã – quando os ventos estão menos fortes.

Ah, se for no domingo, você vai descer em Salvaterra e de lá pegar uma van/micro-ônibus para Soure. Foi o nosso caso. Viajamos com o Edgar, que foi super-atencioso e acertou tudo com a gente na noite do dia anterior à viagem (Edgar Turismo & Transporte: 91-99378-7711). As empresas que fazem o transporte fluvial são a Banav (www.banav.com.br) e a Arapari (91-3241-4977).

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COMO SE DESLOCAR NA CIDADE

Creio que nos cinco dias que estivemos lá, não vimos mais que 20 carros. O transporte é de táxi, sem taxímetro, custa entre R$ 20 (o mínimo, dentro da cidade) a R$ 90 (ida e volta, para a Praia do Pesqueiro, por exemplo), ou de moto-táxi. Outra opção muito boa é alugar uma bicicleta, que sai por R$ 2 a hora, em média, e dá para negociar a diária. Também dá para fazer muitos trechos caminhando, pois é muito fácil se localizar em Soure – as ruas e travessas são todas numeradas – e mesmo à noite, em que muitas ruas estão bem escuras, o risco de você ser assaltado é bem pequeno.

Sempre peça indicação de taxistas e moto-taxistas ao pessoal da pousada, e confirme se é realmente seguro ir caminhando ou de bicicleta para determinados locais.

ONDE COMER
Perto da pousada onde ficamos hospedados, a melhor opção para refeição é o Solar do Bola. O restaurante serve pratos típicos e pizzas de sabores tradicionais ou nem tanto, como camarão com jambu, por exemplo. O lugar é simples, o preço é justo.

Também vale a pena conhecer o Café de Soure, conhecido por lá também como “o crepe do francês”. Lá você encontra pratos bem legais com ingredientes locais a um preço muito bom. O lugar é aconhegante e, do lado de fora, dá para você observar um pouco da rotina da pequena cidade.

Para aliviar o calor: sorvete Ice Búfalo, que leva leite de búfala, doce de leite de búfala e queijo de marajó. Descobrimos este sorvete por acaso, quando paramos na Ilha Bela Pousada e Restaurante para tomar uma água e descansar do passeio de bicicleta, e, olhe: é muito bom!

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NOS PRÓXIMOS TEXTOS
As praias, as fazendas e o rio Paracuari (Parte II)
Artesanato, dança e música na Ilha do Marajó (Parte III)

Engenho Lagoa Verde: cachaça e turismo rural em Alagoa Grande-PB

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Quem chega à simpática Alagoa Grande, na encosta da Serra da Borborema, também não pode deixar de visitar o Engenho Lagoa Verde, produtor da premiada Volúpia. Além de conhecer detalhadamente como é feita uma das principais cachaças da Paraíba, o local oferece opção de ecoturismo e a ótima cozinha regional, do restaurante Banguê.

O mês de outubro é a melhor época para visitar o Lagoa Verde, pois é quando o engenho retoma a moagem da cana. Um detalhe bem legal desta etapa do processo é que a moenda de lá ainda funciona com máquina a vapor.

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Você também vai poder ver a sala de fermentação, que contém cerca de 20 tonéis, a sala de envasamento e de rotulagem do produto e, em seguida, visitar a área onde estão os três alambiques de cobre. Tudo bastante limpo e organizado a fim de garantir a qualidade das cerca de 600 garrafas (670ml) produzidas diariamente.

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É impossível não se impressionar com a adega, onde ficam os diversos barris de freijó e carvalho, e com o depósito onde estão dornas de até 10.000 litros. Detalhe: não fazem parte da visita outras dornas gigantescas de 35.000 e 140.000 litros.

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Há, ainda, uma sala de degustação em que estão à disposição provas de cachaças e dos coquetéis de frutas, e uma lojinha, onde se compra garrafas de vários tamanhos (de vidro ou de porcelana), lembrancinhas, livros e doces produzidos na região. O visitante também encontra expostas algumas garrafas com o antigo rótulo da marca e prêmios ganhos pela Volúpia.

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ECOTURISMO
Para o passeio ficar completo, a pedida é agendar uma trilha (trekking) pelo engenho. São quatro opções, com níveis de dificuldades e percursos distintos. O agendamento pode ser feito por telefone (83-999820407).

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Todos os sábados, durante o almoço, tem forró pé-de-serra ao vivo, no restaurante.

COMO CHEGAR?
Após o centro de Alagoa Grande, siga em direção à saída que leva à Areia. Imediatamente antes da ponte na encosta da serra, vire à esquerda. Você passará por uma pequena vila e, em seguida, precisará percorrer cerca de 2,5km em uma estrada de barro. O Engenho Vale Verde estará à sua esquerda.

SITE: cachacavolupia.com.br
FACEBOOK: www.facebook.com/cachacavolupia

 

Cortejo Cultural em Nazaré da Mata

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É sempre bom voltar a Nazaré da Mata, voltar ao bom humor de sua gente, às lembranças da infância e aos costumes que não se perderam. No último domingo, dia 27, foi diferente, ainda melhor: a cidade estava com uma energia boa – algo que não sei explicar –  mas que sem dúvida teve como epicentro o Engenho Cumbe, sede do Maracatu Rural Cambinda Brasileira, e de onde partiu o Cortejo Cultural.

Percebi a diferença logo que cheguei ao Sertãozinho, bairro por onde andei e pedalei toda minha infância. Cadeiras nas calçadas, comida, bebida e música na frente de casa, As pessoas estavam nas ruas, sorridentes, esperando os maracatus passarem. Há quantos anos não via Nazaré assim? No caminho para o Cumbe – lugar que eu só conhecia o nome e a importância histórica e cultural – uma ou outra placa indicava que eu e meu amigo Rafael estávamos indo pelo caminho certo.

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– Bom dia, amigo, engenho Cumbe?
– Pode seguir esses carros aí, direto, o povo tá tudo indo pra lá – responderam os senhores de chapéu, sorrindo e empurrando as bicicletas barra forte na ladeira de terra.

O CD de Wesley Safadão logo foi substituído pelo disco do Maracatu Leão Misterioso e o povo começou a se animar, dar os primeiros passos no chão de terra batida. Uma Catita andava por todos os lados pedindo um trocado, dançava e se jogava no chão, empunhando uma boneca surrada e o gereré. Vez por outra uma criança corria dela, primeiro por susto, depois por brincadeira. Tradição. Todo nazareno que se preze já levou uma carreira de Catita.

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Demorou, mas perto do meio-dia, o povo já quente do sol e da bebida – começou o coco de roda. Poetas locais também declamaram embalados pelo ganzá, caixa e zabumba. Também teve mamulengo para fazer o povo rir enquanto os caboclos se organizavam em uma casa mais distante para dar início ao cortejo.

Vimos o maracatu rural cercado pela cana e pelo seu povo, que estava lá por ele, e não para passar o tempo enquanto não começam as atrações “principais”, como em alguns desfiles de Carnaval. Não havia gola, chocalhos, perucas, nem lanças. O que a gente via era a dança crua dos caboclos, com todos os seus movimentos claros. O que a gente ouvia eram os passos chiados fazendo a mistura entre os seres e a terras, a poeira.

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A fome, o calor e os horários nos impediram de continuar para ver o cortejo e a festa no Parque dos Lanceiros. Alguns detalhes com os horários e com a programação talvez precisem de um pouco mais de atenção nas próximas edições, que com certeza estaremos presentes. Vida longa ao Cortejo Cultural, que – antecipo – estará todos os anos no nosso calendário.

É sempre bom voltar a Nazaré da Mata.

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Visita ao Engenho Triunfo

Produtor de uma das cachaças paraibanas mais conhecidas e dona de um rótulo singular que homenageia a cidade de Areia, o Engenho Triunfo é um bom destino para quem aprecia a bebida. Fica pertinho da cidade, é bem fácil de chegar e, além de conhecer todo o processo de produção da caninha, o visitante ainda compra cachaças exclusivas, que só se encontra por lá.

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A Cachaça Triunfo foi criada em 1994 pelo casal Antônio Augusto e Maria Júlia. Foram várias tentativas e muito trabalho, até que a família chegou na receita ideal da bebida, que caiu no gosto do povo – a um preço bastante acessível. Hoje a Triunfo produz 250 mil garrafinhas (250 ml) por mês e gera cerca de 70 empregos diretos e 1000 indiretos, movimentando o turismo e a economia da região (saiba mais aqui).

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O engenho fica localizado na zona rural de Areia, próximo à Casa do Doce. Para chegar lá, basta seguir pela PB-079 e entrar à esquerda após o campus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A visita custa R$ 5 por pessoa, mas hóspedes do Hotel Fazenda Triunfo (foi o nosso caso) não pagam a entrada – lembre-se de pedir os tickets para a visita na recepção do hotel.

A visita é guiada e dura cerca de uma hora. Dependendo da época do ano você poderá ver todo o processo de produção, desde a moagem até o envazamento. Mas, caso você vá no período da entressafra, não se preocupe: você vai receber todas as explicações sobre os processos de produção da bebida. Vale lembrar que a partir do mês de setembro começa a colheita da cana, então, é uma boa época para visitar os engenhos do Brejo Paraibano.

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Além da cachaça pura (a branquinha), a Triunfo hoje produz outras quatro variedades: as armazenadas (por seis meses) em barris de umburana, carvalho e jequitibá rosa, e ainda a bidestilada, uma edição limitada, vendida em uma garrafa de porcelana preta e dourada.

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A Triunfo branquinha e a armazenada em barril de umburana podem ser encontradas no mercado, mas as armazenadas em Carvalho, em Jequitibá Rosa e a Bidestilada, você só encontra na lojinha do engenho. Lá são vendidas garrafas de vários estilos, tamanhos e cores, além de canecas, xotes e outras lembrancinhas. Lembre-se de levar dinheiro em espécie, pois o sinal da internet não é muito bom e a maquininha pode não funcionar.

 

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CACHAÇA TRIUNFO
Site: cachacatriunfo.com.br
No Facebook: https://www.facebook.com/cachacatriunfooficial/

Margarida Maria Alves: uma luta que não morre

Na noite do dia 12 de agosto de 1983, um tiro de espingarda calibre 12, disparado por um homem, tirou a vida da agricultora e líder sindical que pelos direitos dos trabalhadores rurais costumava dizer: “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. Margarida Maria Alves foi executada dentro da própria casa, em Alagoa Grande, Paraíba, na frente do filho e do marido.  O crime, a mando de usineiros, não calou a voz de Margarida. Sua história resiste, há exatos 34 anos, e sua luta não morre.

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Margarida Maria Alves lutava por direitos como jornada de trabalho de 8 horas, carteira assinada, 13º salário e férias. Durante seu mandato como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, mais de 600 ações e denúncias foram movidas pela organização (saiba mais aqui). Foi por essa luta que ela morreu, e é por ela que o Museu Casa de Margarida Maria Alves precisa ser visitado, divulgado e preservado pelo nosso povo.

 

Pouca coisa mudou na casa de nº 624, na rua Olinda, desde a noite do crime. A história que tentaram apagar reside nas paredes, seja em uma marca do rito, seja em frases da sindicalista, recortes de jornais da época e ao longo da história, além de homenagens, títulos e reconhecimentos póstumos de órgãos internacionais e instituições que lutam pelos Direitos Humanos. As discussões e as ideias que tentaram silenciar também resiste através do Centro de Estudos Maria da Penha do Nascimento Silva.

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Fundado em 2001, o museu também possui em seu acervo objetos pessoais, roupas e ferramentas de trabalho que pertenceram à Margarida. As fichas para controle dos cambiteiros e cortadores de cana são o retrato do quanto é difícil ter condições dignas de trabalho quando só o patrão tem voz.

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Boa parte das histórias são contadas por Alice Marques, que trabalha no museu há 12 anos. A entrada no museu é gratuita, e o espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h.

Estar no cenário do crime e conhecer os detalhes daquele 12 de agosto causam angústia, revolta e um aperto no peito difícil explicar. É um lugar triste.

Estar na casa onde Margarida viveu e conhecer os detalhes da sua história trazem orgulho, esperança e convicção de que a luta dos trabalhadores precisa continuar. É um lugar de resistência.

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O dia 12 de agosto é lembrado como o Dia Nacional de Luta contra a Violência no Campo e Pela Reforma Agrária.